Alagoas tem o terceiro maior aumento de internações por endometriose no Brasil

Publicado em 13/03/2026, às 09h02
- Foto: Freepik

Assessoria

As internações de mulheres para tratamento de endometriose em Alagoas cresceram 127% nos últimos dois anos, cenário que coloca o estado em terceiro lugar no ranking nacional, segundo dados do Ministério da Saúde. No Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, nesta sexta-feira (13), especialista esclarece dúvidas sobre o tratamento e alerta para a importância do diagnóstico precoce da doença.

Os dados são do Datasus: em 2025, o Brasil registrou 20.815 internações para tratamento da endometriose, número 30% maior que o contabilizado em 2023, quando houve 15.962 procedimentos. Em Alagoas, o aumento foi quatro vezes superior à média nacional: passaram de 144 internações no primeiro ano para 328 no ano passado, crescimento percentual de 127%.

O ginecologista e obstetra da Unimed Maceió, Vitor Costa, explica que a endometriose é uma doença inflamatória caracterizada pelo crescimento de um tecido semelhante ao endométrio, camada que reveste o interior do útero, fora da cavidade uterina. “As causas da endometriose ainda não são totalmente conhecidas, mas existem algumas hipóteses, como a chamada menstruação retrógrada, quando parte do fluxo menstrual retorna pelas trompas e se deposita na cavidade abdominal. Também há fatores genéticos e alterações do sistema imunológico que podem favorecer o surgimento da doença”, detalha o médico.

Entre os sintomas mais comuns estão cólicas menstruais intensas, dor pélvica frequente, dor durante a relação sexual, dor ao evacuar ou ao urinar durante o período menstrual e dificuldade para engravidar. O diagnóstico costuma envolver avaliação clínica e exames de imagem, como ultrassom especializado e ressonância magnética. Já o tratamento, explica o ginecologista, depende da intensidade dos sintomas, da idade da paciente e do desejo de engravidar. As opções incluem medicamentos hormonais, cirurgia e até mudanças no estilo de vida, como a prática de exercícios físicos e a adoção de uma dieta com menor potencial inflamatório.
 

Especialista em endometriose, Vitor Costa ressalta que o acompanhamento médico é fundamental. “Cada caso precisa ser avaliado individualmente. Apesar de ser uma condição crônica, a endometriose pode ser controlada, e a qualidade de vida pode ser mantida com diagnóstico precoce e tratamento adequado. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controlar os sintomas e evitar complicações. A mulher não precisa conviver com dor como se fosse algo normal”, afirma.

Mobilização

O Dia Nacional de Luta contra a Endometriose foi instituído por lei em 2022 e é celebrado em 13 de março. A data busca chamar a atenção para os impactos provocados pela doença. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), a condição atinge cerca de 7 milhões de mulheres no país, aproximadamente uma em cada dez em idade reprodutiva. O levantamento aponta ainda que mais de 60% das mulheres desconhecem os sintomas do problema.
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