Galileu
Vamos começar este texto indo direto ao ponto: não há evidências científicas conclusivas de que os alimentos ditos “afrodisíacos” sejam capazes de melhorar o desejo sexual (libido) ou o desempenho sexual. Em geral, os poderes desses alimentos são meramente folclore ou efeito placebo.
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O uso de afrodisíacos existe há milhares de anos em culturas como a chinesa, a indiana, a egípcia, a romana e a grega. Inclusive, o termo vem do grego aphrodisia (prazer sexual), que, por sua vez, estava relacionado a Afrodite, deusa do amor e da beleza.
Entre as substâncias historicamente conhecidas como afrodisíacas estão a ioimbina (extraída da casca de uma árvore na África Ocidental), os frutos de mandrágora (planta comum nos países do Mediterrâneo), o chifre de rinoceronte moído na cultura chinesa (sim, já houve rinocerontes selvagens na China) e a "mosca espanhola", substância extraída de besouros e que, na verdade, é tóxica. Hoje em dia, outros alimentos são conhecidos como afrodisíacos, como morango, ostras cruas, chocolate, café e mel.
Apesar de serem associados à libido e ao desempenho, muitos desses afrodisíacos também estão ligados a um melhor funcionamento fisiológico da região genital. Nesse sentido, é possível dizer que os afrodisíacos “funcionam”, mas de forma indireta, auxiliando na função sexual por meio da melhora de fatores como a circulação sanguínea.
Um estudo de 2016 analisou os efeitos de alguns desses supostos afrodisíacos em ratos. Ele apontou que a ambreína, a muira puama e o ginseng, substâncias tradicionalmente consideradas afrodisíacas, relaxam a musculatura lisa do corpo cavernoso do pênis. Outras substâncias, como a planta Tribulus terrestris e o fitoterápico epimedium (ou erva-do-bode-no-cio), demonstraram aumentar a qualidade da ereção em animais, enquanto ioimbina, ginseng e açafrão também aumentaram a qualidade da ereção.
Ainda assim, os estudos sobre o tema costumam sempre indicar que os testes são insuficientes para tirar conclusões definitivas. “Embora muitos desses ingredientes possam demonstrar eficácia no aumento do tecido erétil quando administrados individualmente e em condições in vitro controladas, os nutracêuticos frequentemente apresentam uma mistura de muitos desses ingredientes em altas dosagens. Muitos suplementos também contêm ingredientes ativos que não foram completamente testados e são potencialmente inseguros”, argumenta outro estudo.
Mas tem alguns que funcionam?
Isso não significa, porém, que os cientistas são completamente céticos sobre o assunto. Uma pesquisa de 2013 listou diversos alimentos que, mesmo precisando de pesquisas mais aprofundadas, apresentaram algum resultado em testes clínicos:
Atenção: os testes clínicos nas espécies acima ainda não são conclusivos. Muitos deles foram feitos apenas em ratos, portanto a ideia de que os resultados seriam similares em humanos é apenas uma hipótese educada. Não se automedique. Em caso de problemas de saúde, procure um médico.
Em geral, porém, mesmo os alimentos que “funcionam” para esses fins possuem efeitos limitados, que variam de pessoa para pessoa. Para casos recorrentes de disfunção erétil, o médico provavelmente não vai recomendar comer ginseng, e sim algum tratamento com inibidores da PDE5, como a sildenafila (Viagra) e a tadalafila.
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