Análise: "Datafolha reforça percepção de que a sucessão subiu no muro"

Publicado em 30/08/2026, às 16h00

Flávio Gomes de Barros

Jornalista Josias de Souza:

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"A grande novidade exposta pelo Datafolha é a ausência de novidade. Com a desaprovação em leve viés de alta e uma vantagem mixuruca de quatro pontos no segundo turno, Lula ainda sente o hálito de Flávio Bolsonaro na nuca. Não há oscilações relevantes entre os diferentes segmentos sociais, exceto na categoria dos nem-nem.
 
Os destinos da nação continuam nas mãos de eleitores que observam a campanha de cima. Não morrem de amores nem pelo lulismo nem pelo bolsonarismo. Na conta do Datafolha, a turma do muro representa 24% do eleitorado. Embora minoritário, esse grupo deve falar mais alto na urna, definindo o resultado.
 
O eleitor despolarizado tortura os marqueteiros. Volúvel, pula de lado como pipoca em óleo quente. Quase metade (49%) diz que sua escolha não é definitiva. No eleitorado geral, é muito menor a parcela dos que admitem trocar de candidato: 27%.
 
Antes do Dark Horse, o filho de Bolsonaro prevalecia entre os não alinhados. O coice do áudio em que Flávio pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro empurrou Lula para a dianteira. As traficâncias de Lulinha e Marcola com a lobista do Careca do INSS recolocaram Flávio na liderança. No novo Datafolha, o primogênito do preso arrastou 38% da preferência do muro, contra 33% de Lula.
 
Já estava claro que a polarização produziria um vencedor muito mais pela vulnerabilidade do adversário do que pela exuberância do próprio projeto. A disputa se torna dramática com a percepção de que a palavra final virá de um eleitor volátil — do tipo que, na dúvida entre o vinho tinto e o branco, pede água mineral. E entra em parafuso quando lhe perguntam: 'Com ou sem gás?"
 
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