Contextualizando

Análise: "O que Lula ofereceu para Davi Alcolumbre?"

Em 29 de Agosto de 2026 às 14:00

Acordo é "O resultado de um entendimento onde todos aceitam as mesmas regras ou condições".

Conchavo é: "Uma trama ou conspiração com o objetivo de prejudicar alguém ou realizar algo ilícito, muito comum em negociações políticas".

As definições estão no Google, moderna versão do "pai dos burros", o antigo dicionário impresso que os mais antigos tanto conhecem.

Uma dessas hipóteses explica o que aconteceu nos bastidores da reunião entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como tenta explicar o jornalista Carlos Andreazza:

“O relator no Senado da PEC do fim da jornada de trabalho 6x1 manteve o texto conforme aprovado na Câmara. Omar Aziz é candidato a governador e ganhou o presente de relatar a matéria mais popular do ano eleitoral. Não o desperdiçará, moído o compromisso com 'o devido processo legislativo'. Compromisso daquele Davi Alcolumbre anterior ao acerto com Lula.

Ciente da oportunidade, Aziz já encarna a compressão alcolúmbrica do rito legislativo – para atropelar. Às favas a necessidade de a Casa ter 'tempo razoável' para 'um debate com essa envergadura e com essa magnitude, para que [os senadores] possam ler e interpretar o texto, ouvir os setores envolvidos, ouvir os trabalhadores, ouvir quem produz neste país, ouvir quem emprega, ouvir a classe operária' – como dizia o Alcolumbre de antes do pacto com Lula.

Não que o cronista lhe acreditasse no zelo pela integridade das prerrogativas do Senado e na reação contra a propaganda petista de 'Congresso inimigo do povo'. Alcolumbre, agora (ou por enquanto) ex-inimigo do povo, é aquele que tudo instrumentaliza para encorpar a massa com a qual negociará. O 'devido processo legislativo' – moeda, afinal – podendo ser tanto se sentar sobre encaminhamento de projeto quanto suprimir etapas de tramitação para impor aprovação rápida.

Mexer no texto significaria ter de devolvê-lo à Câmara. Não seria conveniente, a pouco mais de mês da eleição. Aumentaram as chances de o projeto ir a plenário na semana que vem, algo impensável na semana passada. Algo que tiraria do candidato à reeleição o constrangimento de ter como principal marca deste terceiro governo uma proposta ainda não aprovada. O Alcolumbre pós-acordo com Lula já não mais se preocupa com a qualidade da atividade legislativa no período eleitoral.

Desapareceu o Alcolumbre que dizia isto: 'Sabe qual é o congressista que vai ficar contra 37 milhões de brasileiros na véspera da eleição? Nenhum.' Desapareceu aquele que protegia o Senado em termos assim: '(...) eu tenho um discurso de uma autoridade importante do Brasil que disse que a PEC da escala 6x1 precisa ser deliberada agora antes da eleição, porque ela vai servir para o calendário eleitoral. Pode isso? Não pode isso. Eu acho que não pode.'

Agora pode. A questão é por quê. O que Lula lhe terá oferecido? Somente o apoio à sua reeleição em 2027 será pouco. Dependeria de fatores incontroláveis – a própria reeleição de Lula em 2026. Fosse o futuro à frente do Senado o objeto da negociação, Alcolumbre esperaria o produto das urnas. Tem de haver algo urgente.

Talvez o medo de a Polícia Federal bater novamente à porta da Amprev. O fundo previdenciário do Amapá botou R$ 400 milhões no Master. Temor infundado, já que Lula – que mandou o chefe da PF se apaziguar com o relator do caso Lulinha no STF – não se mete com a corporação.”

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