Aos 60 anos, ex-aluna do Senac monta estúdio de massagem em praça pública de Maceió

Publicado em 14/07/2026, às 13h03
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O vai e vem de veículos e moradores divide espaço com um cenário pouco comum por ali. Sob uma tenda montada por ela mesma, Quitéria Maria dos Santos Lima, de 60 anos, recebe clientes em uma cadeira de massagem posta na Praça da Guarda Municipal, no Conjunto Joaquim Leão, em Maceió. Alguns chegam por curiosidade, outros atravessam bairros inteiros em busca dos serviços da mulher conhecida há décadas por um apelido que diz muito: Coragem.

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Durante toda a vida, Quitéria aprendeu que trabalhar significava fazer um pouco de tudo. Foi cabeleireira, manicure, depiladora, costureira. Sempre surgia um novo ofício, interessada numa nova forma de complementar a renda. E foi justamente essa inquietação que a levou ao Senac Alagoas.

Nunca é tarde

Depois de concluir o ensino médio aos 60 anos, ela decidiu procurar uma nova oportunidade. Foi até o Centro de Educação Profissional (CEP) Carlos Milito, localizado no bairro Poço, em Maceió, sem indicação de ninguém. Lá, encontrou apenas uma vaga disponível para o curso de Massagista.

“Eu estava passando por um momento difícil. Precisava ocupar minha mente. Enquanto estudava, eu me distraía bastante. Quando terminei o ensino médio pensei: ‘E agora? Vou fazer o quê?’. Então peguei minha declaração e pensei: ‘Vou ao Senac ver quais cursos estão oferecendo'. Vi a vaga de massagista e pensei ‘é essa que eu quero’, conta Quitéria.
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A decisão tomada quase por impulso acabaria mudando completamente sua rotina. Ao longo de meses, Quitéria mergulhou em um universo novo. Aprendeu técnicas, fez amigos, colegas e descobriu uma profissão que poderia se transformar em fonte de renda.

Mas, antes, havia um obstáculo: ela não possuía recursos para montar uma clínica. Só que ao invés de esperar pelas condições ideais, “Coragem” decidiu criar as próprias oportunidades. Comprou uma cadeira de massagem, reuniu os equipamentos, montou uma pequena estrutura e ocupou um espaço da praça pública.

"O meu sonho era ter uma clínica bem organizada, um espaço bonito, bem aconchegante. Mas eu pensei: ‘vou para a praça. O que der, deu’. Quando cheguei, todo mundo ficou olhando e perguntando o que era. Eu explicava que fazia massagem relaxante, bambuterapia, pedras quentes e ventosaterapia. As primeiras pessoas que fizeram massagem nem eram daqui. Eram pessoas que já conheciam esse tipo de tratamento. Depois começaram a indicar para outras pessoas. Hoje estou aqui todos os dias, das 10 até umas 18 horas”, diz.

Hoje, muitos retornam. Há quem atravesse bairros distantes dali, como a Ponta Verde, apenas para ser atendido por ela. E a praça se transformou, também, em lugar de descanso e relaxamento pelas mãos de Coragem. Um símbolo de toda a dedicação e espírito empreendedor. “Nunca é tarde para estudar.

O Senac me deu essa oportunidade de fazer um curso de graça e hoje estou aqui trabalhando para mim mesma. Consegui concluir meus estudos para honra e glória de Deus. Hoje estou aqui trabalhando e as pessoas só elogiam meu trabalho. Elas chegam com dores e saem muito relaxadas. Faço tudo com muito carinho, porque primeiro a gente faz com amor. Depois Deus coloca a mão d'Ele", afirma a massagista.

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E o trabalho agrada. Jafia Kelly, uma de suas clientes mais fiéis, não perde a oportunidade de elogiar a massoterapeuta. “Eu descobri o trabalho da Coragem pelas redes sociais. Coragem é muito indicada pelo trabalho dela e pelo esforço que ela tem. A minha experiência foi sensacional, um ambiente ao ar livre, e o resultado é excelente. Conforto total. Para você que não conhece, vem conhecer a massagem de coragem!”, recomenda.

A gente se vê na sua determinação

A história de Quitéria dos Santos mostra como, ao longo de seus 80 anos de atuação nacional, o Senac abre porta para que pessoas de todo o país encontrem na educação profissional novos caminhos para transformar a própria vida. Mais do que formar profissionais, a instituição coleciona trajetórias que comprovam que aprender não tem idade e que oportunidades podem surgir mesmo quando muitos acreditam ser tarde demais para recomeçar.

Ao empreender aos 60 anos, Quitéria dos Santos representa o envelhecimento ativo, a autonomia financeira feminina e o acesso democrático à educação profissional. Hoje, entre um atendimento e outro, ela continua repetindo o conselho que publica nas redes sociais e faz questão de compartilhar com quem passa pela praça: "Nunca é tarde. É só tomar uma atitude, procurar uma escola, estudar e nunca desistir dos seus sonhos”, diz.

Com o diploma conquistado no Senac, no primeiro curso que fez na instituição, Quitéria pôde mostrar que a coragem que carrega no apelido sempre foi, na verdade, seu maior instrumento de trabalho.

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