Baixa libido: quando o desejo sexual pode ser um sinal do organismo

Publicado em 04/08/2026, às 14h30
- A libido faz parte da saúde feminina e pode ser influenciada por diversos fatores ao longo da vida (Imagem: MAYA LAB | Shutterstock)

Redação EdiCase

A falta de desejo sexual costuma ser cercada de tabus. Muitas mulheres acreditam que a diminuição da libido é consequência apenas da rotina corrida, do desgaste no relacionamento ou do envelhecimento. Embora esses fatores possam influenciar, nem sempre eles são a causa. Em muitos casos, o próprio organismo dá sinais de que algo não vai bem.

LEIA TAMBÉM

Alterações hormonais, estresse crônico, deficiência de vitaminas e minerais, uso de alguns medicamentos e até problemas de saúde pouco percebidos podem reduzir significativamente o desejo sexual. Segundo a ginecologista Dra. Ana Paula Fonseca, a libido é resultado da interação entre aspectos físicos, hormonais, emocionais e sociais.

“A libido não depende apenas da vontade. Ela sofre influência direta do funcionamento do organismo. Quando há um desequilíbrio hormonal, deficiência nutricional ou alguma doença, é comum que o desejo sexual diminua. Por isso, a mulher não deve encarar essa mudança como algo ‘normal’ ou simplesmente aceitar que faz parte da vida”, explica. 

Hormônios exercem papel importante

Os hormônios participam diretamente da resposta sexual feminina. Alterações nos níveis de estrogênio, progesterona e testosterona podem afetar o desejo, a lubrificação vaginal e até o prazer durante as relações. Essas mudanças podem ocorrer em diferentes fases da vida, como no pós-parto, durante a amamentação, na transição para a menopausa ou em decorrência de algumas doenças.

“Cada fase da vida traz mudanças hormonais naturais, mas isso não significa que toda perda de libido deva ser considerada inevitável. Muitas vezes existem formas de investigar a causa e melhorar a qualidade de vida da paciente”, afirma a Dra. Ana Paula Fonseca. 

O estresse pode afetar o desejo

O organismo prioriza funções essenciais quando está submetido ao estresse constante. Nessa situação, o aumento persistente do cortisol pode reduzir o interesse sexual, prejudicar o sono, favorecer o cansaço e diminuir a disposição.

Além disso, ansiedade e sobrecarga emocional costumam impactar diretamente a saúde sexual. “Uma mulher que dorme mal, trabalha sob pressão e vive exausta dificilmente terá energia para a vida sexual. O cuidado com a saúde mental também faz parte da avaliação da libido”, ressalta a médica.

Alguns medicamentos podem interferir

Determinados medicamentos podem reduzir o desejo sexual como efeito colateral. Entre eles, estão alguns antidepressivos, anticoncepcionais hormonais, anti-hipertensivos e medicamentos utilizados para outras condições crônicas.

Isso não significa que o tratamento deva ser interrompido por conta própria. “Sempre que houver suspeita de que um medicamento esteja influenciando a libido, a paciente deve conversar com o médico. Muitas vezes é possível ajustar a medicação ou buscar alternativas seguras”, orienta a Dra. Ana Paula Fonseca. 

Deficiência de nutrientes também merece atenção

A falta de ferro pode levar à anemia, provocando sintomas como cansaço, fraqueza e redução da disposição física, fatores que acabam refletindo também na vida sexual. “Quando a paciente apresenta baixa libido acompanhada de fadiga, queda de cabelo ou indisposição constante, vale investigar possíveis deficiências nutricionais. O tratamento deve ser individualizado e baseado em exames clínicos”, alerta a ginecologista. 

A orientação médica é essencial para identificar as causas e tratar a baixa libido (Imagem: Peakstock | Shutterstock)

Quando procurar ajuda?

A diminuição do desejo sexual merece atenção principalmente quando persiste por vários meses, causa sofrimento, interfere na qualidade de vida ou surge acompanhada de outros sintomas, como alterações menstruais, dor durante a relação, secura vaginal ou cansaço excessivo.

Segundo a especialista, o primeiro passo é evitar a automedicação e buscar uma avaliação médica completa. “Não existe uma única causa para a baixa libido. Cada mulher possui uma história clínica, um contexto hormonal e um estilo de vida diferentes. Por isso, o tratamento precisa ser personalizado e direcionado ao que realmente está provocando essa redução do desejo”.

Libido também é um indicador de saúde

Mais do que afetar a vida sexual, a perda persistente do desejo pode funcionar como um alerta de que o organismo precisa de atenção. Investigar a causa permite não apenas recuperar a libido, mas também identificar precocemente alterações hormonais, deficiências nutricionais e outras condições que impactam a saúde como um todo.

“A libido faz parte da saúde feminina. Quando ela diminui de forma persistente, não devemos tratar isso apenas como uma questão comportamental. Muitas vezes, o corpo está tentando comunicar que algo precisa ser investigado. Ouvir esses sinais é um passo importante para promover bem-estar e qualidade de vida”, conclui a Dra. Ana Paula Fonseca.

Por Daiane Bombarda 

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Síndrome do Intestino Irritável: entenda como as emoções podem desencadear os sintomas 7 hábitos comuns que podem danificar os dentes Cruzar as pernas faz mal à saúde? Veja quando o hábito exige atenção 5 dicas para montar uma rotina de estudos equilibrada para o Enem