Nicolas Bosshardt, jogador do São Paulo, foi solto após atropelar e matar um idoso de 84 anos em Barueri, com a juíza considerando sua conduta não suficientemente grave para justificar a prisão, apesar das evidências de sua participação em uma corrida de rua.
A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do atleta, que alegou não estar em um racha e afirmou que dirigia a 50 km/h, embora testemunhas e o delegado indicaram que ele e os amigos estavam em alta velocidade, acima do limite permitido de 40 km/h.
A juíza impôs condições para a liberdade de Nicolas, incluindo comparecimento mensal ao fórum e suspensão da habilitação, enquanto o São Paulo Futebol Clube expressou pesar pela morte da vítima e afirmou que acompanhará o caso juridicamente.
O jogador do São Paulo Nicolas Bosshardt, 19 anos, preso em flagrante na segunda-feira (3) sob suspeita de atropelar e matar um idoso de 84 anos em uma via de Barueri, na Grande São Paulo, foi solto pela Justiça sob um voto de confiança.
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A expressão consta na decisão da juíza Marilia Bonafe Froment, que atua na Comarca de Osasco. Ela afirmou haver prova da materialidade e indícios suficientes de autoria do crime de participação em corrida em via pública com resultado morte, mas, para ela, a conduta de Nicolas não apresenta nível de gravidade apto a justificar a prisão.
A Polícia Civil, após ouvir depoimentos e analisar vídeos, havia representado pela prisão preventiva, sem prazo definido.
"Em que pese a reprovabilidade da conduta, o autuado é primário e há indicação de vínculo com a comarca", escreveu a juíza em sua decisão. Ela ainda destacou que o lateral-esquerdo do time profissional do São Paulo voltou ao local do acidente, acionou o resgate, permaneceu no endereço e colaborou com as investigações.
Marilia acrescentou que, "de toda forma, trata-se de voto de confiança conferido pelo Poder Judiciário, esperando que, com a oportunidade conferida de responder ao processo em liberdade, sejam cumpridas as cautelares impostas, com a manutenção da vinculação ao processo (comparecimento e endereço atualizado) e o distanciamento de práticas ilícitas".
No entanto, a juíza determinou a suspensão da habilitação de Nicolas. O Tribunal de Justiça informou que o jogador foi solto sob a condição de comparecer mensalmente ao fórum, manter o endereço atualizado junto à vara competente e não deixar a cidade por mais de oito dias sem comunicação prévia.
Em depoimento, uma testemunha relatou à Polícia Civil que passava de carro pela alameda Tocantins, em Alphaville, pouco antes das 22h, quando viu dois veículos em alta velocidade descendo a alameda Rio Negro em direção à rodovia Presidente Castelo Branco. Ao entrar na alameda Rio Negro, avistou o corpo de uma pessoa, desceu do carro e prestou auxílio ao idoso.
Nicolas Bosshardt dirigia um veículo BMW 220 MSP preto, modelo 2026, avaliado em cerca de R$ 330 mil. Ryan Francisco, outro atleta do São Paulo, estava em um segundo carro. Um terceiro jogador, Igor Teixeira Felisberto conduzia outro automóvel.
A testemunha afirmou ter perguntado para Nicolas e Ryan se estavam disputando um racha, já que trafegavam em alta velocidade. Segundo o relato, ambos confirmaram que estavam em alta velocidade, mas disseram que já haviam reduzido no trecho onde ocorreu o atropelamento, negando racha.
A vítima, identificada como Paulo Rodrigues, morreu no hospital.
Em depoimento, Nicolas disse que estava com Ryan Francisco e Igor em um restaurante e negou ter bebido. Segundo ele, no caminho de volta para casa, trafegava pela pista da esquerda quando viu uma pessoa correndo do lado direito, na direção do carro, e desviou para a esquerda.
Ainda de acordo com o jogador, ele percebeu que o retrovisor direito do carro estava quebrado, deu marcha a ré e retornou ao local da batida, de onde ligou para a Polícia Militar e para o Corpo de Bombeiros. Nicolas afirmou que Ryan dirigia um Audi A3 preto, e Igor, um Honda Civic branco.
Disse ainda que tem instalado em seu celular um aplicativo que registra local, trajeto e velocidade do deslocamento. Segundo o app, ainda de acordo com o jogador, sua velocidade era de 50 km/h. Ele negou estar em um racha.
Em interrogatório, Ryan também negou que estivessem apostando corrida.
Já Igor afirmou que viu uma pessoa atravessando a via à frente do veículo de Nicolas, mas foi impossível evitar o atropelamento. Segundo ele, os carros estavam entre 60 e 70 km/h ao sairem de um shopping e acesseram a alameda Rio Negro, onde reduziram a velocidade em função das lombadas existentes na via e por ser mais movimentada.
Para o delegado Leonardo Rocha Vieira, responsável pelo caso, os elementos reunidos até o momento o depoimento do condutor, o relato da testemunha e os vídeos analisados indicam que Nicolas e os amigos trafegavam em velocidade incompatível com a via, cujo limite é de 40 km/h.
Em nota, o São Paulo Futebol Clube informou que, após deixar um shopping, o atleta Nicolas se envolveu em um acidente de trânsito que resultou na morte de um pedestre.
"Nicolas permaneceu no local prestando assistência e acionando o serviço de resgate. Posteriormente, compareceu à delegacia de polícia para prestar os devidos esclarecimentos. Foi constatado que o atleta não havia ingerido bebida alcoólica e que sua Carteira Nacional de Habilitação estava em situação regular", diz o comunicado.
O clube acrescentou que Nicolas "prestou depoimento às autoridades competentes e teve assegurado o direito de responder ao procedimento em liberdade".
O São Paulo afirmou lamentar a morte da vítima e disse que seguirá acompanhando o caso por meio de seu departamento jurídico.
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