Bariátrica: fique atento aos sinais que podem ser emergências

Publicado em 14/10/2019, às 07h54
Pei Fon -

Assessoria

No Brasil, o número de cirurgias bariátricas aumentou 84,73% nos últimos oito anos, passando de 34.629 em 2011 para 63.969 em 2018, segundo balanço feito pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (SBCBM). Como em qualquer outra cirurgia, elas podem ser motivo de passagens pelas emergências. Médicos e pacientes devem estar atentos aos sinais.

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O cirurgião geral Antônio de Pádua, lembra que o paciente não deve ignorar nenhum sintoma que o incomode. “Ao longo dos anos, as cirurgias de redução de peso têm se tornado cada vez mais seguras. Realizadas com videolaparoscopia, os antigos cortes foram substituídos por orifícios de poucos milímetros, o que faz a recuperação ser mais rápida. Mas, os cuidados pós-alta fazem a diferença. A bariátrica requer mais atenção ao que se come, principalmente nos primeiros meses, quando o corpo está se adequando à mudança. Por isso, seguir as orientações médicas é fundamental”, ressaltou o especialista alagoano, que já realizou mais de cinco mil cirurgias bariátricas e metabólicas.

Como a cirurgia muda a forma como os alimentos são absorvidos, a Síndrome de Dumping pode correr em até 50% dos pacientes submetidos ao by-pass gástrico logo após a ingestão de alimentos ricos em gordura ou em carboidratos simples, como queijos e pães, e tem levado muita gente a pedir ajuda médica. “Então, quando eles passam rapidamente para o intestino, o resultado é dor e distensão abdominal aguda, sudorese, tontura, tremores, entre outros sintomas que podem confundir o profissional de saúde. Há pacientes que acham que estão infartando. Apesar de assustadora, a condição é benigna”, explica Pádua.

Na bariátrica, uma nova passagem do estômago para o intestino é realizada. A redução pode acontecer com o grampeamento do órgão, a retirada de 60% do estômago ou deixando-o parecido com um tubo. “O fato é que se houver a abertura do local da cirurgia (deiscência de anastomose), o paciente pode ter uma infecção grave. Isso é muito raro, mas, em muitos dos casos, é causado pela alimentação errada nos primeiros dois meses após o procedimento. Ou seja, quando o paciente não segue as etapas da dieta ou come demais, pode causar o problema”, ressaltou o cirurgião.

Não muito comuns, as obstruções intestinais também devem ser consideradas caso o paciente apresente história de vômitos e de dor abdominal intermitente, recorrente e relacionada à alimentação. Elas ocorrem, geralmente, no pós-operatório tardio. Em algumas situações, o médico pode solicitar exames como o raio-x ou tomografia para ajudar no diagnóstico.

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