Bombeiros confirmam identidade de homem que morreu no desabamento de prédio em SP

Publicado em 05/05/2018, às 08h34

Redação

Os bombeiros localizaram nesta sexta-feira (4) o primeiro corpo de um dos desaparecidos do desabamento do prédio Wilton Paes de Almeida, ocupação de sem-teto de 26 andares que caiu na madrugada da última terça-feira ( 1º), no centro de São Paulo, após um incêndio atingir todo o edifício.

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Por meio das impressões digitais, a vítima foi identificada como Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, conhecido como Tatuagem. A confirmação foi feita pela SSP (Secretaria de Segurança Pública), já durante a noite.

Antes da confirmação, os bombeiros já haviam informado que o corpo tinha diversas tatuagens e o cinto de segurança usado durante a tentativa de salvamento, o que indicava que era Ricardo, já que o desabamento aconteceu momentos antes de ele ser içado do local.

A área onde o corpo foi encontrado sob os escombros foi apontada por Vasty, uma pastora belga farejadora, na tarde de quinta-feira (3). ​O corpo foi retirado e levado ao Instituto de Criminalística.

Os trabalhos de busca avançaram nesta sexta com o apoio de escavadeiras, que passaram a remover os escombros com mais velocidade. O maquinário pesado conseguiu levar as equipes de resgate até a "zona habitável" no meio dos destroços. No local, os bombeiros encontraram nesta manhã botijões, armário de roupas e eletrodomésticos.

A operação dos bombeiros deve levar pelo menos mais 15 dias, aponta o tenente-coronel Ricardo Peixoto. O cálculo foi feito com base na estimativa de que já foi retirado 20% do entulho do edifício. No mesmo ritmo, seriam necessárias mais duas semanas pelo menos.

Oficialmente, agora, os bombeiros trabalhavam com cinco desaparecidos: Selma e seus dois filhos gêmeos e um casal de sem-teto. A Prefeitura de São Paulo também diz que ainda não localizou o paradeiro de 49 moradores cadastrados que habitavam a ocupação popular antes da tragédia.

​A polícia disse que, após ouvir uma testemunha, concluiu que um curto-circuito no 5º andar, provocado por excesso de aparelhos ligados em uma tomada foi a causa do fogo no prédio. No local havia quatro pessoas: marido, mulher e duas filhas.

"O incêndio começou em decorrência de curto-circuito, em uma tomada com TV, micro-ondas e geladeira. Não foi briga de casal. O que aconteceu foi fatalidade", disse Mágino Alves, secretário de Segurança. Dois moradores do cômodo foram hospitalizados. Uma das vítimas é uma criança de 3 anos, em estado grave, diz Mágino. O pai teve dois terços do corpo queimado.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, uma pessoa prestou depoimento nesta sexta no 3º DP (Campos Elíseos). Um inquérito também foi instaurado no Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) ​ para apurar a cobrança de aluguel dos moradores de ocupações do centro de São Paulo.

O desabamento provocou ainda a interdição de cinco imóveis em seu entorno, sendo quatro prédios e uma igreja. Segundo a Defesa Civil, todos os bloqueios são totais e não há previsão de liberação. Não foi encontrado risco iminente de colapso em nenhum deles, mas eles seguem monitorados pelo órgão.

Um desses imóveis é o edifício Caracu, localizado na rua Antônio de Godói, que foi liberado para a entrada de moradores pela primeira vez nesta sexta-feira. As pessoas puderam retirar pertences pessoais, como documentos e medicamentos, mas não puderam permanecer no local.

Também estão interditados uma igreja, no número 34 da av. Rio Branco; um prédio, no largo do Paissandu, 132; e um edifício fino da Antônio de Godói, que ficou com marcas das chamas em sua fachada. Essa última construção conta como duas interdições por ter duas numerações (8 e 26).

BUSCAS

As buscas entraram nesta sexta no quarto dia. Nas primeiras 48 horas, os bombeiros controlaram o incêndio principal e resfriaram os destroços para conter novos focos.

Também varreram os escombros com câmeras térmicas, drones e cães farejadores. Os animais, que possuem alto grau de assertividade, já haviam indicado às equipes o local onde estava a corda que chegou a ser utilizada no resgate de Ricardo ainda no primeiro dia das operações.

A região onde a corda foi retirada passou a ser prioritária. Nesta quinta (3), o uso de maquinário pesado deu outro patamar à operações. Escavadeiras passaram a revirar a montanha de entulho, que atingiu 15 metros, e acelerou o trabalho dos bombeiros retirando da frente deles grandes blocos de concreto.

O braço mecânico funcionou. Os bombeiros passaram a vasculhar a zona habitável, um lugar que no jargão técnico dos bombeiros tem um grande potencial de concentrar desaparecidos por conter muitos dos objetos que eram utilizados por eles.

Até o momento, os bombeiros ainda não localizaram os bolsões vitais sob os escombros, o que diminui ainda mais a chance de haver algum sobrevivente. Nos bolsões, as vítimas têm ar para respirar e, por isso, sobrevivem, a depender do tempo em que ficam soterradas.

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