Helicópteros que colidiram no Rio voavam em operação baseada na observação dos pilotos

Publicado em 14/06/2026, às 20h36
CBMERJ/reprodução
CBMERJ/reprodução

Por Laiz Menezes/Folhapress

A colisão entre dois helicópteros que matou seis pessoas neste domingo (14/6), no Rio de Janeiro, ocorreu durante uma operação realizada sob regras de voo visual, modalidade em que os próprios pilotos são responsáveis por manter uma distância segura entre as aeronaves. A avaliação é de Raul Marinho, diretor-técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG).

Segundo o especialista, os helicópteros costumam operar em corredores aéreos visuais definidos pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Essas rotas funcionam como vias de circulação no céu, com trajetos determinados para orientar o deslocamento das aeronaves.

“É parecido com uma grande avenida mesmo. Você tem mão e contramão, tem alguns corredores que são de mão única e outros corredores que são de mão e contramão”, explicou Marinho, que também é piloto.

De acordo com ele, os pilotos utilizam recursos como GPS, aplicativos de navegação e pontos de referência visuais para seguir as rotas estabelecidas. Ainda assim, a principal forma de evitar acidentes continua sendo a observação direta do espaço aéreo.

“A ferramenta primária de separação é a visão humana. A obrigação do piloto, pelo regulamento, é olhar para fora e manter a separação com base na visão”, afirmou.

Na prática, isso significa que os comandantes precisam identificar outras aeronaves durante o trajeto e adotar as medidas necessárias para manter uma distância segura. Mesmo quando há equipamentos eletrônicos disponíveis, a vigilância visual permanece como elemento fundamental da operação.

Marinho destacou ainda que o papel do controle de tráfego aéreo é diferente daquele desempenhado em voos comerciais. Em operações visuais, os controladores não são responsáveis por separar as aeronaves. “O voo não é controlado. Quem faz tudo é o piloto em comando”, disse.

Nesses casos, o sistema de controle acompanha as comunicações e recebe informações sobre a posição das aeronaves ao longo do percurso. Os pilotos informam sua localização em pontos específicos dos corredores aéreos, permitindo que outras aeronaves na região tenham conhecimento do tráfego existente. O controle também pode auxiliar em situações de emergência ou quando há grande volume de aeronaves na mesma área.

O modelo difere dos voos por instrumentos, utilizados com mais frequência pela aviação comercial. Nessa modalidade, a navegação ocorre com apoio de sistemas eletrônicos e o acompanhamento do tráfego aéreo é mais intenso.

“A maior parte dos voos por instrumentos com helicópteros ocorre nas plataformas de petróleo. Fora desse contexto, praticamente só se voa visual com helicópteros. Mesmo porque quase todos os helipontos não têm condições de operar por instrumentos”, explicou.

Apesar das informações já divulgadas sobre o acidente, o especialista ressaltou que ainda não é possível determinar o que provocou a colisão. A investigação ficará a cargo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Segundo Marinho, o trabalho dos investigadores não busca apontar uma causa única, mas identificar os fatores que podem ter contribuído para a ocorrência. Entre os aspectos normalmente analisados estão fatores humanos, condições meteorológicas, procedimentos operacionais e possíveis falhas técnicas.

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