Brasil pode voltar a ter cassinos para aumentar arrecadação

Publicado em 24/01/2016, às 00h56

Redação

A crise econômica brasileira trouxe à tona uma discussão antiga e polêmica, da volta da legalidade do jogo no Brasil. Em todo o País, os cassinos são proibidos desde 1946 e bingos e caça-níqueis desde 2004. Como uma das medidas para reduzir o rombo nos cofres do governo federal, Estados e municípios, o Palácio do Planalto estuda o impacto e as formas de exploração dos jogos em uma eventual liberação de cassinos, jogo do bicho, caça-níqueis e bingos no País.

LEIA TAMBÉM

O estudo desse impacto está sendo elaborado pela área técnica do Ministério do Turismo. Por ser um trabalho amplo, ainda não há data de finalização e nem resultados preliminares. O ministério não sabe informar, por exemplo, se o estudo estará pronto antes da volta do ano legislativo, na primeira semana de fevereiro, quando volta a tramitar um projeto de lei do Senado (PL 186/2014), de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI) que trata deste tema.

Pelo potencial arrecadatório do projeto tanto para o Governo federal como para Estados e municípios, o senador Ciro Nogueira acredita que ele pode ser aprovado até o final deste ano. Além disso, segundo o senador, o projeto, apesar de complexo, encontra pouca resistência dentro do Congresso e do Executivo.

— A estimativa é que o Brasil deixa de arrecadar de R$ 18 a R$ 20 bilhões por ano com a proibição dos jogos. Isso sem falar no jogo online. Se houver regularização dos jogos online esse valor poderia dobrar, com impacto semelhante ao da recriação da CPMF.

O estudo do Ministério do Turismo, portanto, deve ser usado nas discussões em torno do projeto do Senado, que já tramita desde 2014 e já foi aprovado em comissão. Como tem caráter terminativo, os senadores têm até o dia 10 de fevereiro para entrar com recurso pedindo que a matéria seja aprovada no Plenário da casa. Caso isso não ocorra, o projeto segue para a Câmara, onde já há uma comissão especial para tratar do tema. Se tiver alterações na Câmara volta a ser analisado no Senado, e caso seja aprovado, segue para sanção ou veto presidencial.

Na Câmara, a percepção de parlamentares envolvidos na tramitação é a de que também não deve haver resistência, como explica o deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF), que participou de reunião de líderes da base aliada no ano passado com a presidente Dilma Rousseff em que o tema foi abordado.

— Houve uma sondagem por parte do governo sobre a opinião dos líderes sobre o retorno dos cassinos. No Parlamento, a minha percepção é a de que se não existe consenso existe boa vontade para que esse tema seja debatido. O Brasil precisa crescer e não dá para dizer que o Brasil não tem jogos. O que é a loteria? A Caixa tem jogos, que hoje estão nas mãos do Estado.

Além da loteria, os parlamentares citam o jogo ilegal e o jogo online, praticados no Brasil e estes últimos sem arrecadação de tributos.

— De cada R$ 3 gastos no País com jogos, R$ 2, ou 2/3, são de forma ilegal. E essa estimativa é sem os cassinos virtuais, que não há como mensurar. Hoje eu imagino que mais da metade no jogo do mundo é online. Esses números já foram passados para o governo federal quando fizemos uma consulta ao Executivo antes de apresentar o projeto, explica o senador Ciro Nogueira.

Projeto

O projeto que tramita no Senado autoriza o funcionamento de cassinos, bingos, caça níqueis e jogo do bicho com regras de arrecadação e restrições de funcionamento. O texto não autoriza o jogo online, considerado ainda mais complexo, mas sugere restrições antes que sua liberação seja estudada. A propaganda de jogos online, por exemplo, ficaria proibida, assim como pagamentos em cartões de crédito para apostas online.

Para cassinos, o projeto prevê um em cada Estado ou unidade da Federação, sempre ligado a estrutura de turismo e lazer. Estados maiores poderiam ter dois a três cassinos. Em cada complexo, apenas 10% da área útil seria para jogos, o resto para quartos de hotel, área de lazer e estrutura de apoio.

Polêmica

O projeto que libera cassinos e outros jogos no Brasil recebe críticas de alguns parlamentares pela questão do endividamento da população e do potencial de vício dos jogos. Esses pontos, no entanto, estão sendo discutidos no Congresso. Existe a possibilidade de que parte dos recursos arrecadados seja destinado ao tratamento de viciados em jogos, como ocorre em Las Vegas, no Estados Unidos. Há também a previsão de que apostas nunca possam ser feitas com cartões de crédito, apenas com dinheiro, para evitar dívidas.

Para o deputado Rogério Rosso, que é a favor da projeto, é preciso ter uma discussão aprofundada nesse sentido.

— O projeto tem que ter cautela no tamanho da liberação. Na minha opinião tem que ser atrelado a dinamização de regiões, de cidades. E também é preciso ter cautela no sentido do endividamento da população, que não pode ter descontrole. 

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Novonor assina venda do controle da Braskem após alta nas ações da mineradora Isenção de IPTU para idosos: veja as regras e como solicitar o benefício Afinal, por que a carne bovina disparou de preço? Entenda o real motivo Saiba como vai funcionar o cashback da restituição automática do IR