☰
✕

Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bi e avalia recuperação extrajudicial ou judicial

Publicado em 16/08/2026, às 20h02
- Reprodução/Youtube

Maeli Prado/Folhapress

Ler resumo da notícia

A rede de varejo Casas Bahia disse neste domingo (16) que avalia uma renegociação de suas dívidas com credores, o que pode incluir um pedido de recuperação judicial ou extrajudicial, em um trimestre marcado por fechamento de lojas, demissões e baixas contábeis.

LEIA TAMBÉM

O anúncio vem depois de um trimestre em que a empresa teve um prejuízo de R$ 10,1 bilhões, em meio a diversas baixas contábeis, ante uma perda de R$ 555 milhões em igual período do ano passado. Com isso, o patrimônio líquido da Casas Bahia (ou seja, a diferença entre o valor total dos seus ativos e dos seus passivos) está negativo em R$ 8,1 bilhões.

"Dentre as medidas avaliadas pela companhia e passíveis de potencial implementação estão medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial", afirmou a varejista na divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre.

A companhia já recorreu ao instrumento: em abril de 2024, a varejista entrou em recuperação extrajudicial, com dívidas de R$ 4,1 bilhões, e saiu três meses depois.

A dívida líquida da empresa ficou em R$ 1,2 bilhão no trimestre encerrado em junho.
A Casas Bahia disse que o prejuízo líquido se deu por uma série de baixas feitas no balanço: R$ 5,7 bilhões em imposto de renda diferido, ágio, revisões contratuais, reorganização de pessoal e fechamento de lojas.

A empresa afirmou que, em um cenário de juros altos e endividamento das famílias, reduziu o volume de compras de estoque para reduzir seu tamanho. "Comprar de forma estruturalmente menor significa operar em uma escala menor", afirma.

A empresa contratada para a auditoria externa da Casas Bahia, a EY, se absteve de dar opinião sobre as demonstrações financeiras do segundo trimestre. Segundo a auditoria, há uma "incerteza relevante" sobre a capacidade de continuidade operacional da companhia.

FECHAMENTO DE 298 LOJAS E DEMISSÕES

A companhia informou que fechou 298 lojas e que está revisando seu quadro de colaboradores. Segundo informações do jornal Valor Econômico, a varejista demitiu cerca de duas mil pessoas na semana passada.

A Casas Bahia disse que está revisando o seu quadro de colaboradores para ajustá-lo ao novo tamanho da operação, além de revisão de contratos, despesas e investimentos, "buscando uma estrutura de custos compatível com o nível esperado de atividade e geração de caixa."

A varejista afirmou ainda que revisará a estratégia comercial dos seus canais digitais para priorizar margem e geração de caixa em vez do crescimento dos volumes de venda ou de categorias que não sejam lucrativas.

OITAVO TRIMESTRE DE PREJUÍZO

Com o prejuízo informado neste domingo, a Casas Bahia registra o seu oitavo trimestre seguido de perdas, em uma trajetória que, segundo analistas, vem se intensificando com os juros altos, que incidem sobre sua elevada despesa financeira, e a inadimplência crescente da população.

Desde a última vez que reportou lucro, no segundo trimestre de 2024, mesmo período em que entrou em recuperação extrajudicial, a varejista acumula resultados negativos que foram aumentando de tamanho.

Se entre o terceiro trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025 a companhia apresentava prejuízos de centenas de milhões de reais, o rombo escalou e ultrapassou R$ 1 bilhão nos períodos que se seguiram, escancarando a crise financeira da empresa.

"O fator determinante para a Casas Bahia estar na situação em que está hoje é o que tem afetado diversas empresas de varejo no Brasil, que é o longo e persistente ciclo de juros reais muito altos", aponta o consultor de varejo Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail.

Uma sequência de números divulgados por varejistas na semana passada indicaram que a desaceleração do consumo e o aumento do endividamento das famílias castigam o setor mais do que o esperado.

O Magazine Luiza registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 1,8 milhão registrado um ano antes. A Renner afirmou que não conseguirá bater a meta de vendas que previa para 2026, enquanto a C&A veio com números considerados abaixo das expectativas dos analistas.

"O varejo talvez seja o setor mais penalizado pelo nível elevado dos juros, que permaneceram altos por muito tempo. As famílias continuam bastante endividadas e a concorrência no setor é intensa", afirma Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.

Serrentino lembra que a taxa básica (Selic), hoje em 14% ao ano, estava em 2% ao ano entre o final de 2020 e início de 2021, e que os juros baixos estimularam muitas empresas do setor a se alavancarem na época.

"O custo de capital era muito barato e havia muita liquidez na saída da pandemia. Mas quando os juros subiram repentinamente e chegaram ao patamar que estão hoje, a estrutura de capital dessas companhias passou a não suportar mais os seus modelos econômicos, que são negócios de baixas margens e muita competição", avalia Serrentino.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Vorcaro depõe à PF e nega existência de grupo criminoso "A Turma" Dois homens são denunciados por falsificação de bebida que cegou mulher Gêmea diagnosticada com síndrome rara da velhice precoce morre em Roraima Bets querem usar proibição de Lula para se livrar de patrocínios do futebol que já não davam retorno