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Lailton Soares da Silva, José Jonas da Silva Júnior e Edineide Pereira Santos foram condenados a mais de 150 anos de prisão, quando somadas as penas, pela morte da menina Ana Clara, de 12 anos, durante a festa da padroeira de Maravilha, no Sertão de Alagoas. O julgamento ocorreu nessa quinta-feira (15), na mesma cidade, e durou mais de 20 horas.
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Segundo informações repassadas pelo Ministério Público, Lailton foi condenado a 52 anos, dois meses e 25 dias de prisão. Já José Jonas e Edineide receberam penas de 55 anos e 11 meses cada. O crime aconteceu no dia 2 de janeiro de 2025, e os réus foram presos três dias após o assassinato
Segundo os autos, um dos suspeitos tinha interesse de se relacionar com Ana e teria se revoltado ao vê-la conversando na calçada de uma creche com um adolescente. Os depoimentos colhidos durante a investigação do caso revelaram que o denunciado tinha o costume de vigiar e perseguir Ana Clara em festas e outros lugares públicos.
Ainda de acordo com as informações, dois casais de adolescentes estavam próximos a uma creche e conversavam, quando um carro, de cor prata, ocupado pelos três suspeitos, estacionou. Dois homens e uma mulher desceram do veículo e abordaram os casais.
Dois adolescentes, amigos de Ana, foram liberados pelo trio. Já a vítima e o adolescente que ela conversava foram espancados. O adolescente ainda conseguiu esmurrar um dos suspeitos e, apesar de ser atingido por um golpe de faca nas costas, fugiu.
Ana não conseguiu se livrar das agressões e foi brutalmente atingida com golpes de faca na região glútea e escapular. Os criminosos ainda deixaram a faca peixeira cravada nas costas da menina e abandonaram o corpo.
O caso teve ampla repercussão e, a pedido do Ministério Público na época, as autoridades realizaram uma reprodução simulada para ajudar nas investigações.
O julgamento
Familiares de Ana Clara acompanham o julgamento e pedem justiça. Durante a espera pelo início da sessão, levaram cartazes com mensagens de reflexão sobre a vida. Veja foto:
O depoimento do adolescente que estava com Ana Clara foi feito após questionamento da promotoria do Ministério Público do Estado (MP-AL). Naquele dia, Ana Clara estava na companhia de uma amiga e mais dois adolescentes. Foram esses dois jovens que deram depoimentos ao tribunal.
"Estávamos no local, o carro chegou de repente, parou de vez. Aí desceu um homem da parte da frente, com a camisa no rosto, e já saiu e deu uma facada em mim. Aí ela mandou eu correr, eu corri e não vi mais nada. Aí chamaram uma ambulância pra me levar pra Santana (do Ipanema). Assim que ele desceu, já deu uma facada em mim", disse o adolescente em fala divulgada à imprensa pela assessoria do MP-AL, que está no tribunal acompanhando o julgamento.
O adolescente afirmou que tinham ido para a festa no município - dia 02 de janeiro é a data da Emancipação Política de Maravilha -, e lá conheceram as duas meninas. Os jovens foram para um local mais afastado da festa para que se conhecessem melhor. Foi quando eles foram abordados por um carro, onde os criminosos chegaram simulando um assalto, mas não levaram nenhum pertence das vítimas.
Ele disse que ficou sabendo pelas amigas da menina Ana Clara "que esse cabra (um dos réus) queria ficar com essa menina, mas ela não queria esse cabra", citou a assessoria do MP.
O adolescente relatou que o motorista do veículo chegou e freou o carro em cima do grupo. "Eles já sabiam que nós estávamos ali, porque assim que a gente chegou, o carro já apareceu em uns cinco minutos". Foi nesse momento que o ataque contra ele e Ana Clara começou.
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