Caso Janadaris: advogada que mandou matar colega de profissão é condenada a 28 anos de prisão

Publicado em 15/08/2025, às 07h10
- Montagem TNH1

TNH1 com informações da Ascom MPAL

Após 19 horas de júri, a advogada Janadaris Sfredo foi condenada a 28 anos de prisão sob a acusação de mandar matar o também advogado Marcos André de Deus Félix. A motivação do assassinato - ocorrido mediante à emboscada, em março de 2014, na Praia do Francês - foi a disputa judicial de reintegração de posse de uma pousada.

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Apesar da pena de 28 anos de reclusão, Janadaris Sfredo cumprirá 50% da sentença em regime fechado. Como ela já passou quatro anos presa, a pena foi subtraída para 24 anos. Então, ela passará 12 anos no sistema prisional. 

O julgamento foi iniciado na manhã de quinta-feira (14), no Fórum Desembargador Jairo Maia Fernandes, no Barro Duro, em Maceió, e se estendeu até a madrugada desta sexta (15).

Nove testemunhas foram ouvidas em júri presidido pelo juiz Geraldo Amorim, da 9ª Vara.

O julgamento

Sem argumentação para assegurar a liberdade da ré, a defesa tentou desqualificar a vítima e apresentou testemunhas que entraram em contradição o tempo todo. Um depoimento foi desqualificado e outra testemunha, identificada como Izabel, que mora na Itália, foi colocada na condição de declarante.

“Um júri difícil e que exigiu muito de nós. A defesa, sem qualquer favorecimento, tentou suas estratégias para inocentar a cliente, mas tínhamos um processo robustecido com provas indiscutíveis contra ela. O Ministério Público conclui o júri certo de que cumpriu com o seu papel. Após mais de uma década de espera, a ré vai pagar pelo crime por ela arquitetado e o coração de cada familiar da vítima se sentirá mais aliviado. Hoje não encerramos, apenas, mais um caso. Hoje colocamos um ponto final numa triste e dolorida história”, disse o promotor de Justiça Coaracy Fonseca, que esteve ao lado de assistentes de acusação, os advogados Roberto Moura, Julia Figueiredo e André Argolo.

Um episódio que também marcou o julgamento foi da expulsão do marido de Janadaris Sfredo. Ele foi retirado do tribunal após ter gritado com o juiz. Na ocasião, o magistrado havia perguntado se a irmã da vítima, que estava depondo, queria que o companheiro da acusada saísse do salão. Ela disse que se sentiria mais confortável. Sérgio Luiz Sfredo disse que não sairia, falando alto e dizendo que, como cidadão, tinha o direito e que ia permanecer. Depois de sair, ele foi proibido de retornar.

Janadaris vai para a Central de Flagrantes e depois para o Instituto Médico Legal para o exame de corpo de delito. Em seguida, a advogada presa será acompanhada até o presídio feminino.

Vítima identificou algoz antes de morrer

Como testemunha de acusação, o advogado Antônio Carlos, que trabalhou por muitos anos com Marcos André em uma usina, rendeu elogios à vítima. Ele reforçou que o colega de profissão informou que Janadaris era a responsável pelo atentado ainda no leito do hospital, antes de falecer.

"Comecei a falar com ele coisas triviais, dizendo que ficar lia bom, tivesse fé que os amigos estavam torcendo e orando por ele. Como o estado dele era delicado e exigia repouso, para não forçá-lo muito a falar, deram uma prancheta ao Marcos e ele escreveu que Janadaris era a responsável por tudo, além de mencionar os 50 mil. Fui inocente me desfazendo do papel, pois achava que ele resistiria”, afirmou ao complementar que o valor R$ 50 mil seria o pagamento pela execução da sentença.

Família aliviada com sentença

Com camisas pretas e brancas, parentes da vítima pediram por Justiça depois de 11 anos e cinco meses de espera. A irmã, Manuela de Deus Félix, passou mal enquanto acompanhava o julgamento.

“Meu irmão não voltará, mas hoje nos enchemos de fé e acreditamos em nosso Deus. Pelo menos vai amenizar essa dor que se estendeu por onze anos e desequilibrou emocionalmente de todos da família”, declarou.

O caso

Marcos André foi surpreendido por dois homens armados no dia 14 de março de 2014, na Praia do Francês, em Marechal Deodoro. Ele foi atingido por tiros e encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE). Depois, o advogado foi transferido para o Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), onde foi tratado por duas semanas, antes do falecimento. O atentado teria sido motivado por uma disputa judicial de reintegração de posse do imóvel.

Marcos André e Janadaris Sfredo tiveram uma desavença devido a uma ação de reintegração de posse de imóvel (uma pousada). A disputa teve decisão favorável para o alagoano que, com a ordem de despejo em mãos, esteve na pousada para retirar pessoas do local. Janadaris era advogada do dono da pousada, até então.

Por vingança, ela teria contratado duas pessoas e ordenado a morte do alagoano mediante a quantia de R$ 2 mil. Os executores já estão presos e foram condenados.

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