Um homem no sudoeste do Paraná teve sua prisão preventiva mantida após ser flagrado agredindo a filha de três anos com um chute no rosto, em um caso que levanta preocupações sobre violência doméstica e o bem-estar das crianças envolvidas.
A investigação, que se iniciou após a divulgação de um vídeo da agressão, também examina um possível histórico de violência contra o enteado de cinco anos, com a Polícia Civil tendo dez dias para concluir o inquérito sob sigilo.
A Defensoria Pública atuou apenas na audiência de custódia, enquanto a polícia coleta mais depoimentos e imagens para entender melhor a situação, embora o delegado tenha indicado que a integridade física da criança não foi gravemente comprometida.
O homem flagrado dando um chute no rosto da filha de três anos no sudoeste do Paraná teve a prisão preventiva (sem prazo) mantida pela Justiça após audiência de custódia, nesta quinta-feira (9). O nome dele não foi divulgado.
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A informação foi confirmada nesta sexta-feira (10) pela DPE-PR (Defensoria Pública do Estado do Paraná), que precisou atuar na defesa do homem. Em nota à Folha, a Defensoria explica que "atuou somente no ato da audiência de custódia, em que são analisados apenas os aspectos legais da prisão preventiva".
"A instituição reforça que, conforme a Constituição Federal, atua para garantir que todas as pessoas tenham direito à ampla defesa. A Defensoria destaca também que não atua na fase de inquérito policial", informou.
A Polícia Civil tem dez dias para concluir o inquérito policial, que começou a partir do chute contra a menina, mas agora também abrange uma possível agressão ao irmão dela, um menino de cinco anos, que seria enteado do homem.
Por se tratar de um inquérito policial que tramita sob sigilo, os investigadores não dão detalhes sobre o caso, mas confirmam que, após ouvirem familiares da menina, constataram um "histórico de agressões" do homem contra as crianças.
A agressão à menina, no domingo (5), foi flagrada por uma câmera de segurança instalada na rua, e o vídeo depois passou a circular em redes sociais.
Segundo o delegado Anderson Andrei, a prisão preventiva foi autorizada pela Justiça estadual principalmente porque a investigação identificou "indícios de que o menino teria sido alvo de uma agressão há algumas semanas, também no rosto".
Não há boletim de ocorrência registrado sobre a agressão contra o menino. Na terça-feira (7), após ver o vídeo do chute contra a menina circulando em redes sociais, a mãe dela foi à polícia registrar um boletim de ocorrência.
O delegado afirmou que, a princípio, o homem deve ser indiciado sob suspeita de lesão corporal em contexto de violência doméstica.
O homem chegou a prestar depoimento sobre o chute contra a filha na quarta-feira (8), mas ele não foi preso naquele momento, já que não configurava mais o flagrante. Na quinta (9), contudo, acabou preso preventivamente, sob a justificativa de que "a investigação mostrou que há indícios de que a agressão não foi a única cometida por ele", segundo o delegado.
No vídeo, aparece o pai caminhando na calçada com a filha e o enteado de cinco anos. Eles carregam sacolas com compras. É possível ver nas imagens que, de repente, ele se vira para a filha e dá um chute no rosto dela, que cai no chão.
O vídeo não tem som, mas outro homem que teria visto a agressão imediatamente se aproxima e abre os braços, aparentemente questionando a situação e tentando intervir. O pai faz um gesto repelindo a aproximação do homem e a criança logo se levanta. Os três voltam a andar na calçada.
Segundo a Polícia Civil, o pai confirmou a agressão em depoimento. "Alegou que foi motivado pelo choro da criança, porém disse não se recordar completamente dos fatos", diz nota da corporação.
A menina foi submetida a exame de lesão corporal e a Polícia Civil aguarda a conclusão do laudo pericial. Nesta quinta, o delegado antecipou que, apesar da imagem forte do vídeo, "aparentemente não houve repercussão maior na integridade física" da criança, e ela está bem.
Familiares e testemunhas ainda estão sendo ouvidos. Os investigadores também buscam mais imagens de câmeras de monitoramento do trajeto percorrido pelo homem e pelas crianças naquele dia.
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