Choreplay: lavar a louça pode aumentar a vontade de fazer sexo?

Publicado em 27/07/2026, às 14h40
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Durante anos, especialistas recomendaram velas perfumadas, massagens sensuais, lingeries, músicas românticas e viagens a dois para recuperar uma libido abalada. Agora, uma nova tendência apresenta um acessório erótico inesperado: a esponja de lavar louça. Mas antes que saia esfregando a dita cuja no parceiro ou na parceira, continue lendo...

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O nome é choreplay, mistura das palavras inglesas chore, que significa tarefa doméstica, e foreplay, usada para preliminares. Na internet, o termo ganhou um sentido divertido: homens limpando a cozinha, organizando a casa ou colocando roupa na máquina e, misteriosamente, tornando-se mais atraentes aos olhos de suas companheiras.

Talvez o verdadeiro ponto G estivesse perto da pia e ninguém havia procurado direito.

Uma casa limpa é realmente afrodisíaca?

Não é exatamente o brilho do fogão que desperta o desejo. O que pode fazer diferença é perceber que existe ao nosso lado um adulto responsável e participativo, e não somente uma pessoa esperando ser servida.

Pesquisas associam a divisão mais justa das tarefas domésticas a maior satisfação no relacionamento e em muitos casos, a uma vida sexual mais frequente. Estudos recentes também indicam que mulheres que desejam uma relação igualitária podem sentir menos desejo quando consideram injusta a distribuição do trabalho doméstico, não raro, a insatisfação bloqueia o tesão.

Isso não significa que basta passar um pano na sala para receber uma noite inesquecível como prêmio. Sexo não é programa de fidelidade: lave dez pratos e ganhe um orgasmo.

O efeito está na parceria.

Quando uma pessoa precisa trabalhar, cuidar dos filhos, pensar no jantar, marcar consultas, comprar papel higiênico e ainda lembrar que o gato precisa de ração, talvez ela chegue à cama desejando apenas uma coisa: dormir desacordada até o dia seguinte.

O peso das tarefas invisíveis Nem todo trabalho doméstico aparece.

Uma pessoa pode dizer que ajuda em casa porque lava a louça quando pedem. Mas quem percebe que o detergente acabou? Quem prepara a lista, organiza as compras e precisa lembrar que existe uma pilha de pratos na pia?

Essa administração permanente é chamada de carga mental. E uma cabeça ocupada com 47 pendências dificilmente muda para o modo erótico apenas porque alguém piscou e perguntou:

— Hoje vai ter?

Talvez vá. Mas provavelmente será preciso encontrar o desejo debaixo das roupas que continuam sobre a cadeira.

Dividir responsabilidades pode diminuir o cansaço, o ressentimento e aquela sensação nada sensual de estar cuidando de mais um dependente. A parceria não cria desejo automaticamente, mas pode retirar alguns obstáculos que estavam esmagando a libido.

Cuidado para não transformar carinho em pagamento
Nas redes sociais, o choreplay às vezes aparece como uma troca: a pessoa realiza uma tarefa e recebe sexo como recompensa. A brincadeira pode ser engraçada quando existe intimidade e ambos se divertem com ela. Como regra do relacionamento, entretanto, pode ser um problema.

Cuidar da casa onde se vive não é favor, gentileza extraordinária nem investimento com retorno sexual garantido. É responsabilidade.

Quando cada prato lavado vem acompanhado daquela expressão de quem aguarda uma medalha ou alguma atividade sem roupa, a ajuda perde boa parte do encanto.

Também não devemos colocar toda falta de desejo na conta da vassoura. A libido pode ser afetada por menopausa, medicamentos, estresse, doenças, conflitos, dor durante o sexo e muitas outras questões. Uma faxina não substitui avaliação médica nem resolve uma relação desgastada.

A melhor preliminar começa fora do quarto
Desejo não nasce apenas no momento em que o casal se deita. Ele pode ser alimentado durante o dia por atenção, respeito, bom humor, carinho e cooperação.

Às vezes, a frase mais excitante da noite não é sussurrada ao ouvido. É pronunciada da porta da cozinha:

— Pode descansar. Eu já resolvi tudo.

Algumas dicas para praticar o choreplay

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