Redação EdiCase
Sentir cólica durante a menstruação é uma experiência comum para muitas mulheres. A dor pode aparecer antes ou nos primeiros dias do ciclo e, em alguns casos, ser acompanhada de cansaço, alterações intestinais e maior sensibilidade. Mas existe uma diferença importante entre uma cólica que faz parte do ciclo menstrual e uma dor que começa a interferir na rotina ou muda de padrão ao longo do tempo.
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Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Larissa Pires, não é apenas a intensidade da dor que deve ser considerada. “É importante observar o conjunto: quando a dor aparece, quanto tempo dura, se está piorando com o passar dos meses e principalmente o impacto que ela provoca na vida da mulher. Uma dor que impede atividades habituais ou que vem acompanhada de outros sintomas merece ser investigada”, explica.
A cólica menstrual mais comum, chamada dismenorreia primária, está relacionada às contrações do útero durante a menstruação. Porém, dores intensas ou que surgem acompanhadas de outros sintomas podem estar associadas a condições como endometriose, adenomiose, miomas e outras alterações ginecológicas.
A seguir, veja pontos que merecem atenção ao longo dos ciclos menstruais.
Se a mulher precisa faltar ao trabalho, deixar de estudar, cancelar compromissos ou interromper atividades que normalmente faria por causa da cólica, vale conversar com um ginecologista. A intensidade da dor deve ser avaliada considerando também o impacto que ela causa no cotidiano.
Uma mudança no padrão habitual merece atenção. Se a mulher sempre teve cólicas leves e percebe que, ao longo dos meses ou anos, elas passaram a ser mais intensas, é importante investigar o motivo.
Dor nas relações não deve ser encarada simplesmente como algo que a mulher precisa suportar. Dependendo das características e da localização da dor, ela pode estar relacionada a diferentes condições ginecológicas e merece avaliação individualizada.
Dor ou alterações intestinais e urinárias que aparecem de forma recorrente, principalmente próximas ao período menstrual, devem ser relatadas ao médico. O conjunto dos sintomas ajuda a direcionar a investigação.
Além da cólica, é importante observar se houve aumento significativo do volume menstrual, sangramentos prolongados ou mudanças importantes no padrão do ciclo. Nem toda alteração significa doença, mas mudanças persistentes devem ser avaliadas.
Não existe uma regra de que a mulher precisa “aguentar” uma dor menstrual intensa todos os meses. Quando a dor é recorrente e interfere no bem-estar, o ideal é buscar avaliação para entender sua causa e discutir as possibilidades de tratamento.
Um ponto importante é evitar a associação automática entre cólica intensa e endometriose. Existem diferentes causas para a dor pélvica e somente uma avaliação médica, considerando a história da paciente, exame físico e, quando necessário, exames complementares, pode esclarecer o diagnóstico.
“Também precisamos tomar cuidado para não normalizar a dor e, ao mesmo tempo, não transformar toda cólica em uma doença. O mais importante é olhar para o padrão daquela mulher. O que é novo? O que mudou? O que está interferindo na vida dela? Essas informações são muito importantes durante a consulta”, destaca a Dra. Larissa Pires.
A recomendação é procurar avaliação quando a dor é muito intensa, está piorando, interfere nas atividades habituais, aparece fora do período menstrual ou vem acompanhada de outros sintomas, como dor nas relações, alterações intestinais ou urinárias e mudanças importantes no sangramento.
A ginecologista reforça que conhecer o próprio ciclo também é uma ferramenta de cuidado. “A mulher não precisa esperar a dor se tornar insuportável para procurar ajuda. Observar o próprio ciclo e perceber mudanças é uma forma de participar ativamente do cuidado com a saúde”, finaliza.
Por Ana Carolina Baili
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