Colocar gelo em lesão pode aliviar na hora, mas será que atrasa a recuperação?

Publicado em 16/05/2026, às 20h33
- Pexels

Terra

Ler resumo da notícia

Você torce o tornozelo, sente uma fisgada depois do treino ou fica com o músculo dolorido após esforço físico. Quase sempre, a primeira orientação que aparece é a mesma: "coloca gelo".

LEIA TAMBÉM

O hábito é tão comum que parece impossível questionar.

O gelo em lesão costuma aliviar a dor rapidamente, reduzir a sensação de inchaço e dar a impressão de que a lesão está sob controle. Mas uma nova pesquisa levanta uma dúvida importante: em alguns casos, esse alívio imediato pode atrapalhar a recuperação?

Pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, observaram que a crioterapia, nome técnico para o uso terapêutico do frio, reduziu a dor no curto prazo. Porém, em alguns tipos de lesão estudados em animais, a dor demorou muito mais tempo para desaparecer após o uso do gelo.

Isso não significa que o gelo virou "vilão" ou que deve ser abandonado em qualquer situação. O ponto é outro. Talvez ele não deva ser usado de forma automática para toda torção, pancada ou dor muscular.

Por que isso pode acontecer?

Quando uma região do corpo se machuca, é comum surgir dor, calor, vermelhidão e inchaço. Embora muita gente veja isso apenas como algo negativo, essa reação faz parte do processo de reparo.

É como se o corpo enviasse uma equipe para limpar a área danificada, organizar a resposta e iniciar a reconstrução do tecido.

Por isso, reduzir essa reação logo no começo pode, em algumas situações, interferir na recuperação.

O estudo sugere justamente esse paradoxo. O gelo pode aliviar a dor na hora, mas talvez atrase etapas importantes do reparo e faça a dor durar mais tempo depois.

Isso vale para pessoas?

Ainda é cedo para afirmar.

A pesquisa foi feita em animais, e estudos desse tipo ajudam a entender mecanismos do corpo, mas não podem ser aplicados automaticamente aos seres humanos.

A gravidade da lesão, a forma de usar o gelo, o tempo de aplicação e o contexto de cada pessoa fazem diferença.

Mesmo assim, o achado chama atenção porque se soma a outras pesquisas que questionam o uso indiscriminado de estratégias anti-inflamatórias, incluindo alguns medicamentos usados para aliviar dor e inflamação.

Usar gelo em lesão ajuda ou atrapalha?

Depende da situação.

O gelo pode continuar sendo útil quando há dor intensa, trauma recente ou orientação profissional.

Mas talvez não faça sentido correr para o freezer diante de qualquer desconforto muscular leve depois do treino.

Também é importante não confundir alívio com recuperação.

Quem já voltou a treinar porque "a dor passou" sabe como isso pode enganar. O desconforto diminui, mas o tecido ainda pode estar em recuperação.

Se a dor melhora logo após usar gelo em lesão, isso não significa necessariamente que a área já esteja pronta para esforço.

Voltar cedo demais ao futebol, à academia ou ao trabalho físico pode piorar o problema.

Sinais como dor forte, inchaço importante, dificuldade para apoiar o pé, perda de força, dormência, deformidade ou dor que não melhora em poucos dias merecem avaliação.

No fim, o estudo coloca um freio numa ideia que virou quase automática. O gelo não precisa ser demonizado, mas também não deve ser um reflexo imediato diante de qualquer dor muscular ou torção.

Nem toda inflamação é inimiga, e nem todo alívio rápido significa uma recuperação melhor.

O estudo que reacendeu essa discussão foi publicado na revista científica Anesthesiology e avaliou, em modelo animal, como a crioterapia pode influenciar a duração da dor inflamatória após lesões.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Fisioterapeuta alerta para cuidados com os pés durante festas juninas Ambulatório Especializado da Uncisal oferece atendimento em Oncologia Banco de leite do Hospital Universitário atua com apenas 25% da capacidade Procon-AL multa em R$ 29 mil plano de saúde que aumentou mensalidade de idoso em 49%