João Victor Souza
Clonazepam, um calmante de longa ação, foi encontrado no sangue de um casal de idosos mortos em Belo Horizonte. A investigação indica que as vítimas foram dopadas antes de serem esfaqueadas.
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O que aconteceu
A perícia da Polícia Civil de Minas Gerais encontrou clonazepam no sangue de um casal de idosos morto a facadas dentro do apartamento onde morava, em Belo Horizonte. A suspeita do crime, a diarista Paola Stefany Neto Cirino, está presa.
O exame toxicológico confirmou a presença do medicamento, mas a investigação ainda não informou a quantidade detectada. O delegado Gustavo Barletta disse ao UOL que o resultado reforça a versão apresentada pela suspeita.
A diarista teria dito informalmente à polícia que colocou comprimidos na bebida servida ao casal antes do crime. A investigação aponta que as vítimas foram dopadas antes de serem mortas com golpes de faca.
Como o clonazepam age no corpo
O clonazepam é um medicamento do grupo dos benzodiazepínicos, capaz de agir no SNC (Sistema Nervoso Central). Por isso, tem propriedades sedativas, relaxantes e anticonvulsivantes (combate as convulsões).
O remédio é considerado de alta potência e de ação prolongada, e costuma ter efeito rápido. O texto médico aponta que os efeitos podem ser notados quase imediatamente após a administração, especialmente com comprimidos sublinguais.
O mecanismo de ação envolve reduzir a atividade neuronal no cérebro. Isso é possível porque o medicamento se liga a receptores benzodiazepínicos acoplados a receptores de GABA (ácido gama-aminobutírico), o que aumenta a afinidade destes com o ácido.
Ao potencializar esse efeito do GABA, o clonazepam tende a levar à sedação e ao relaxamento muscular. O medicamento também afeta a transmissão da serotonina, o que ajuda no efeito calmante (ansiolítico).
Quando é tomado por via oral, o clonazepam é rapidamente distribuído pelo organismo e é preferencialmente captado por estruturas do cérebro. O medicamento é metabolizado pela via hepática e excretado pela via renal e fezes.
Para que serve e por que exige cuidado
O clonazepam é indicado para tratar distúrbio do pânico, ansiedade e crises epiléticas. A medicação também pode ser indicada, geralmente associada a outros fármacos, para aliviar sintomas agudos relacionados a crises de epilepsia e convulsões, transtornos de ansiedade, depressão e mania, inquietação extrema (acatisia), vertigem e distúrbios do equilíbrio.
O remédio só pode ser vendido com receita médica que fica retida. Uma das apresentações consta na Rename 2020 (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais) e tem distribuição gratuita em UBSs (Unidades Básicas de Saúde) mediante apresentação da receita.
O principal risco do uso prolongado é a dependência, e especialistas recomendam usar pelo menor tempo possível. "O que preocupa é uma importante reação adversa: o risco de dependência. Quanto maiores forem o tempo de uso e as doses, maiores serão as chances de tolerância à medicação e os sintomas da sua retirada", explicou o neurologista Igor de Oliveira ao VivaBem.
O acompanhamento médico é indicado para monitorar efeitos colaterais e orientar a retirada gradual. Entre os efeitos colaterais mais comuns estão letargia, cansaço, sedação, sonolência e alterações da capacidade motora, como piora da coordenação e do equilíbrio.
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