Como um lago na Califórnia reapareceu após mais de 130 anos de 'sumiço'

Publicado em 07/05/2026, às 13h26
Lago Tulare, no Vale de San Joaquin, na Califórnia (EUA) - Trace Fleeman Garcia / Wikipedia Commons

Folhapress

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Um lago desaparecido por mais de 130 anos voltou a ganhar vida nos Estados Unidos. Localizado no Vale de San Joaquin, na Califórnia, ele foi drenado há mais de um século para fins agrícolas, mas reapareceu após uma sequência de chuvas extremas e derretimento recorde de neve. Agora, a missão de parte da comunidade é fazer com que ele não desapareça novamente.

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O Lago Tulare era 'o maior corpo de água doce a oeste do rio Mississippi', segundo a pesquisadora Vivian Underhill, da Northeastern University. Conhecido como Pa'ashi ("água grande") pelos indígenas Tachi Yokut, ele cobria até cerca de 1.700 km², quase o tamanho de Houston, e era alimentado principalmente pelo derretimento de neve da Sierra Nevada.

Ele começou a encolher no final da década de 1850, impulsionado pelo "desejo do estado da Califórnia de tomar terras públicas [indígenas] e colocá-las em propriedade privada". O processo 'envolvia drenar terras inundadas ou irrigar terras desérticas para criar terras aráveis'. "Se "as pessoas conseguissem drenar aquela terra, receberiam a propriedade de partes daquela terra. Então, havia um grande incentivo para os colonos brancos", explica a pesquisadora.

A primeira vez que o lago desapareceu completamente foi por volta de 1890. Sua "água foi essencialmente [usada para] irrigar todas as terras áridas ao redor daquela área". "Agora o vale é cortado por centenas de canais de irrigação, todos originalmente construídos para levar a água do lago e irrigar os campos", complementa Vivian Underhill.

Em 2023, o Lago Tulare reapareceu inesperadamente graças a chuvas extremas e derretimento de neve. "A Califórnia foi inundada de neve no inverno e depois de chuva na primavera. Se você tem um evento de chuva e neve, a neve derrete muito rápido", diz a pesquisadora, que ressalta, porém, que o lago já havia retornado discretamente em outras oportunidades, como na década de 80.

A volta do lago trouxe benefícios e prejuízos. A inundação afetou fortemente a agricultura -com perdas bilionárias, realocação de gado e estradas bloqueadas- e comunidades como Corcoran, com risco de transbordamento. Por outro lado, trouxe de volta vida selvagem e um símbolo cultural para os indígenas. O evento foi descrito como um "desastre em câmera lenta" para os agricultores, mas também como o "retorno da natureza", de acordo com o Los Angeles Times.

"A maior parte da cobertura jornalística da época descreveu a enchente como catastrófica. E eu não quero desconsiderar as perdas pessoais e materiais que as pessoas sofreram, mas o que não foi tão comentado é que não foi apenas uma experiência de perda, mas também de renascimento", disse Vivian Underhill, pesquisadora da Northeastern University.

O lago é efêmero e já encolheu bastante desde 2023. Sem ações de restauração, ele tende a desaparecer novamente em anos secos. Debates atuais envolvem gestão de água subterrânea, controle de inundações e possível revitalização parcial.

Líderes tribais e comunitários do Vale de San Joaquin querem restaurar parte do lago. Eles afirmam que a revitalização do lago reduziria os riscos de inundações, proporcionaria habitat para vida selvagem e ofereceria oportunidades de recreação. O projeto tem custo estimado de até US$ 1 bilhão e ainda depende de financiamento e compra de terras.

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