Submarino nuclear afundado há mais de 30 anos ainda libera radiação no mar da Noruega

Estudo científico aponta corrosão gradual do reator do K-278 Komsomolets

Publicado em 07/05/2026, às 14h59
Reprodução/Youtube Maritime Mishaps
Reprodução/Youtube Maritime Mishaps

Por Terra

Um estudo revelou que o submarino nuclear soviético K-278 Komsomolets, afundado em 1989 no Mar da Noruega, continua a liberar material radioativo, com vazamentos de radionuclídeos em concentrações alarmantes, até 800 mil vezes superiores ao normal na região.

O submarino, que naufragou após um incêndio, contém um reator nuclear danificado e armas nucleares, e foi monitorado por expedições soviéticas e russas ao longo das décadas, com tentativas de conter vazamentos desde 1994.

Atualmente, a Noruega realiza o monitoramento do local, tendo identificado uma fuga ativa em 2019, e os pesquisadores recomendam novas missões para investigar a variação dos vazamentos e seus potenciais impactos ambientais futuros.

Resumo gerado por IA

Um estudo revelou que o submarino nuclear soviético K-278 Komsomolets, afundado desde 1989 no Mar da Noruega, continua liberando material radioativo no oceano. A embarcação, localizada a cerca de 1.680 metros de profundidade, ainda possui um reator nuclear danificado e duas armas nucleares em seu interior, segundo os pesquisadores responsáveis pela análise.

De acordo com o trabalho publicado na revista científica PNAS e liderado pelo cientista Justin P. Gwynn, os vazamentos foram identificados na região do reator e incluem radionuclídeos como estrôncio-90 e césio-137, encontrados em concentrações até 800 mil vezes superiores aos níveis normalmente registrados no Mar da Noruega.

O K-278 Komsomolets foi um submarino nuclear desenvolvido pela antiga União Soviética durante a Guerra Fria. Construído com casco duplo de titânio, o modelo foi projetado para operar em profundidades extremas para a época. Em 1989, um incêndio a bordo saiu de controle e provocou o naufrágio da embarcação. Dos 69 tripulantes, apenas 27 sobreviveram.

Segundo o jornal espanhol El Confidencial, expedições soviéticas e russas passaram décadas monitorando o submarino e tentando conter possíveis vazamentos radioativos. Em 1994, autoridades russas instalaram tampas de titânio nos tubos de torpedo após suspeitas de contato entre a água do mar e as ogivas nucleares armazenadas no compartimento frontal.

Atualmente, o monitoramento do local é conduzido pela Autoridade de Segurança Radiológica e Nuclear da Noruega e pelo Instituto de Pesquisa Marinha do país. Em uma expedição realizada em 2019 com veículos submarinos operados remotamente, pesquisadores identificaram uma fuga ativa em uma tubulação de ventilação próxima ao reator. As imagens chegaram a registrar material sendo expelido da estrutura.

Os cientistas analisaram amostras de água, sedimentos e organismos marinhos próximos ao submarino. O estudo afirma que não foram encontrados indícios de plutônio proveniente das armas nucleares armazenadas na área dos torpedos, o que indica que os reparos realizados pela Rússia nos anos 1990 continuam funcionando adequadamente.

Apesar da ausência de sinais imediatos de contaminação ambiental ampla, os autores defendem novas missões ao local para entender por que os vazamentos variam ao longo do tempo e quais poderão ser os impactos futuros.

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