JÚLIA MOURA/Folhapress
O brasileiro aumentou o número de parcelas nas compras com cartão de crédito sem juros neste ano. No primeiro trimestre de 2026, foram R$ 138,3 bilhões em compras divididas entre 7 e 12 parcelas, aumento nominal de 16,4% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) apresentados nesta segunda-feira (11).
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Este valor representa 35,4% do total comprado no crédito parcelado. Já o montante dividido entre 2 e 6 parcelas somou R$ 243,6 bilhões, alta anual de 13,4%, correspondendo a 62,4% do total. No ano passado, porém, era 63,4% do total.
Já as compras acima de 12 parcelas sem juros somaram R$ 8,5 bilhões, o equivalente a 2,2% do total. No primeiro trimestre de 2025, essa fatia era de R$ 5,2 bilhões, ou 1,6% do total.
Ainda de acordo com os dados da Abecs, o uso do cartão de crédito aumentou na compra de eletrodomésticos e eletrônicos (21,4% na comparação anual), de livros (16,3%) e de roupas, sapatos e acessórios (13,2%). Nessa última categoria, a maioria das transações é parcelada.
Já em alimentação, cujo uso do cartão subiu 12%, 80% das compras foram à vista, 13,4% em até seis vezes e 6,6% em mais de seis parcelas.
Em serviços, o maior crescimento do uso do cartão de crédito foi em educação básica (21,9%), a maior parte à vista.
Para Ricardo de Barros Vieira, vice-presidente executivo da Abecs, o aumento das parcelas não reflete necessariamento alto endividamento das famílias brasileiras, mas sim uma reorganização financeira de modo a adequar o valor da fatura à capacidade de pagamento.
"O brasileiro dividindo em mais vezes consegue espaço no seu orçamento mensal para fazer os pagamentos", diz o executivo.
Apesar do forte uso do cartão, o peso do instrumento no endividamento do brasileiro é reduzido, diz a Abecs.
Com base em dados do Banco Central, a associação diz que o rotativo, juro acionado quando há atraso no pagamento da fatura, representa 2,6% do endividamento familiar.
"O pagamento das faturas no vencimento segue em 85%, estável há alguns semestres. E, em média, o brasileiro fica apenas 12,7 dias no rotativo", afirma Vieira.
Também segundo o BC, a inadimplência no cartão de crédito foi de 9,1% em março, crescimento de 1,3 ponto percentual em um ano.
A dívida do cartão de crédito é um dos alvos do Novo Desenrola, programa de renegociação de débitos bancários do governo federal. Débitos contraídos até 31 de janeiro de 2026 poderão ser renegociados com descontos entre 30% e 90%, com juros de até 1,99% ao mês.
"O Desenrola é importante para toda a sociedade. No momento que você resolve a questão de endividamento, a pessoa vai voltar a consumir", diz Vieira.
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