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Consumo de açúcar na infância pode elevar risco de demência, aponta estudo

Publicado em 03/08/2026, às 13h09
- Agência Brasil

CNN Brasil

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O consumo elevado de açúcar nos primeiros anos de vida pode elevar o risco de demência na idade adulta, de acordo com um estudo publicado na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia, na última quarta-feira (29).

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Para investigar a relação da doença com a sacarose, os pesquisadores analisaram cerca de 64.737 pessoas nascidas após a Segunda Guerra Mundial, período que marcou o fim abrupto do racionamento de açúcar no Reino Unido, em setembro de 1953.

Segundo a revista, o estudo avaliou se a exposição ao racionamento do açúcar em diferentes períodos nos primeiros 1.000 dias de vida estava associada ao risco de demência na idade adulta.

Os participantes foram classificados conforme o período em que estiveram expostos ao racionamento: apenas durante a gestação; durante a gestação e o primeiro ano de vida; durante a gestação e entre 1 e 2 anos de idade; ou não foram expostos.

Resultados

De acordo com a pesquisa, a ocorrência de demência foi identificada a partir de registros de saúde vinculados a CID-10 ( Décima Revisão da Classificação Internacional de Doenças). Em uma subcoorte, os cientistas também avaliaram imagens de ressonância magnética do cérebro e o desempenho em testes cognitivos.

Os modelos de estátisticas utilizados consideraram fatores como diabetes tipo 2 e hipertensão, além de outros riscos competitivos como razões de risco (HRs) e os intervalos de confiança (IC) de 95%.

Entre os participantes 64.737 participantes, 40.963 foram expostos ao racionamento de açúcar durante a gestação e/ou a primeira infância, enquanto 23.774 não tiveram essa exposição. A idade média no recrutamento era de 54,6 anos e 56,4% dos participantes eram mulheres.

Em comparação com as pessoas que não foram expostas ao racionamento, aquelas submetidas à restrição de açúcar durante a gestação e o primeiro ano de vida apresentaram risco 21% menor (HR 0,79) de desenvolver demência por todas as causas e 23% menor de desenvolver doença de Alzheimer.

Já os participantes expostos ao racionamento durante a gestação e entre 1 e 2 anos de idade apresentaram o risco de demência cerca de 23% menor (HR 0,77), enquanto o risco de doença de Alzheimer caiu 28% (HR 0,72).

A exposição ao racionamento durante a gestação e entre 1 e 2 anos de idade também foi associada a um atraso de aproximadamente 2,5 anos no início da demência por todas as causas, de 2,9 anos no início da doença de Alzheimer e de 2,5 anos no início da demência vascular.

Os pesquisadores também identificaram associações entre a restrição de açúcar no início da vida e indicadores de melhor saúde cerebral. Entre os resultados, estavam maior volume total de substância cinzenta, menor volume de hiperintensidades da substância branca e melhor desempenho em testes de velocidade de processamento e raciocínio.

De acordo com o estudo, o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e hipertensão em conjunto mediou 25,5% da associação observada entre a exposição ao racionamento e os resultados relacionados à demência.

Os pesquisadores afirmaram que o não-consumo de açúcar durante os primeiros 1.000 dias de vida esteve associado a um menor risco de demência, ao início mais tardio da doença e a indicadores mais favoráveis de saúde cerebral na idade adulta.

Foi apontado pelo estudo que "esses resultados apoiam a redução do consumo de açúcar nos primeiros anos de vida como uma estratégia potencial para a prevenção da demência".

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