Contato diário com cultura e arte pode desacelerar envelhecimento, diz estudo

Publicado em 15/05/2026, às 21h06
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Galileu

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Atividades como ouvir música, ler um livro, desenhar ou visitar um museu podem fazer mais pela sua saúde do que relaxar a mente. Segundo uma nova pesquisa da UCL (University College London), na Inglaterra, pessoas que mantêm contato frequente com artes e atividades culturais apresentam um ritmo mais lento de envelhecimento biológico.

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O estudo, publicado em 11 de maio na revista Innovation in Aging, reuniu informações de mais de 3,5 mil adultos do Reino Unido, incluindo exames de sangue e questionários sobre hábitos culturais. Com esses dados, os pesquisadores conseguiram calcular a idade biológica dos participantes e acompanhar a velocidade com que o corpo envelhece.

Os resultados mostraram que pessoas que se envolviam com atividades artísticas semanalmente envelheciam cerca de 4% mais lentamente do que aquelas que quase nunca tinham esse tipo de contato. Já quem mantinha esse hábito ao menos uma vez por mês apresentava um envelhecimento cerca de 3% mais lento.
Em média, os participantes que realizavam alguma atividade artística semanalmente eram biologicamente um ano mais jovens do que aqueles que raramente se dedicavam a elas, enquanto as pessoas que praticavam exercícios físicos uma vez por semana apresentavam uma diferença de cerca de seis meses nessa mesma métrica.
 

Como o estudo foi feito
 
Para a pesquisa, os participantes precisaram responder com que frequência, ao longo do último ano, participaram de atividades como canto, dança, pintura, fotografia e artesanato, além de visitas a exposições, eventos culturais, museus, bibliotecas, arquivos e patrimônios históricos (como monumentos, prédios antigos e parques históricos).

“Os resultados fornecem evidências de que o envolvimento com as artes e a cultura deve ser reconhecido como um comportamento promotor da saúde, de forma semelhante ao exercício físico”, disse Daisy Fancourt, psicobióloga da UCL e autora principal do estudo, em entrevista ao The Guardian.

Para Feifei Bu, pesquisadora da UCL e autora sênior do estudo, o estudo traz “a primeira evidência” de uma relação entre o envolvimento com atividades artísticas e cultura e um envelhecimento biológico mais lento. Segundo ela, os resultados reforçam pesquisas anteriores que associam as artes à redução do estresse, diminuição de inflamações e melhora do risco de doenças cardiovasculares, benefícios já observados com a prática de exercícios físicos.

Fancourt também destacou que diferentes atividades culturais podem impactar o organismo de maneiras distintas. “Cada tipo de atividade artística — ler, fazer música, assistir a apresentações culturais, visitar locais históricos — tem efeitos diferentes sobre nós cognitivamente, emocionalmente e fisiologicamente”, afirmou em entrevista à revista Smithsonian. “Por isso, se envolver em uma variedade de atividades, assim como manter uma alimentação diversificada, é extremamente benéfico para a saúde.”

Segundo os pesquisadores, os efeitos mais significativos foram observados em adultos de meia-idade e idosos acima dos 40 anos, grupo em que o envolvimento com atividades artísticas esteve mais associado à desaceleração do envelhecimento. A relação também continuou aparecendo mesmo após os autores considerarem outros fatores ligados à longevidade, como índice de massa corporal (IMC) e tabagismo.

Nesse contexto, o impacto observado também chamou atenção dos pesquisadores, já que em alguns pontos ele se aproximou da diferença biológica observada entre fumantes e ex-fumantes.

“Muitos de nós sabemos instintivamente que participar de atividades criativas e culturais é vital para uma vida feliz e plena”, disse Hollie Smith-Charles, diretora de programas de saúde criativa e mudança do Arts Council England, ao The Guardian. “Essas novas e impressionantes descobertas são mais uma evidência de que as artes, os museus e as bibliotecas nos ajudam a viver bem por mais tempo e mostram como é fundamental que todos, em todos os lugares, tenham acesso a uma cultura de qualidade e acessível perto de casa.”

Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que o estudo mostra apenas uma associação, e não uma relação direta de causa e efeito sobre a longevidade. Ou seja, embora as artes estejam ligadas a um envelhecimento mais lento, isso não significa necessariamente viver mais tempo.

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