Lentes de contato que “dão choques” no cérebro podem revolucionar tratamento da depressão

Publicado em 15/05/2026, às 20h22
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Por Galileu

Pesquisadores da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul, desenvolveram lentes de contato que emitem sinais elétricos leves, potencialmente oferecendo uma nova abordagem para o tratamento da depressão, com efeitos semelhantes aos da fluoxetina, após testes em camundongos.

As lentes, que são transparentes e flexíveis, utilizam eletrodos para estimular a retina, ativando regiões cerebrais associadas ao humor, o que representa uma inovação em relação aos tratamentos tradicionais para a depressão.

Os testes mostraram melhorias significativas nos sintomas depressivos dos camundongos após três semanas de uso das lentes, e os pesquisadores planejam continuar explorando essa tecnologia como uma alternativa não invasiva para o tratamento da doença.

Resumo gerado por IA

Cientistas podem ter encontrado uma possível alternativa para futuras abordagens de tratamento da depressão. Um novo estudo sugere que lentes de contato capazes de emitir sinais elétricos muito leves pela retina podem estimular regiões cerebrais associadas ao transtorno e produzir efeitos semelhantes aos observados com o uso de fluoxetina, um antidepressivo bastante utilizado ao redor do mundo.

No estudo, publicado em 14 de maio na revista Cell Reports Physical Science, pesquisadores da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul conduziram testes apenas em camundongos. Nos animais, que passaram por uma depressão induzida, a equipe observou sinais comportamentais ligados à melhora de sintomas da depressão após três semanas de tratamento com as lentes de contato.

Como as lentes funcionam

As novas lentes de contato também são transparentes e flexíveis, mas vêm equipadas com eletrodos que emitem pequenos sinais elétricos ao sistema visual. Esses sinais são transmitidos pela retina e chegam a regiões cerebrais específicas ligadas ao humor e comportamentos associados à depressão. Esse método usado pela tecnologia é chamado de interferência temporal.

A ideia de utilizar os olhos como vias para estimular o cérebro veio justamente por esse papel que a retina tem em se conectar com essas regiões mais específicas. Em tratamentos disponíveis atualmente para depressão, que incluem medicamentos, terapia eletroconvulsiva e implantes cerebrais, as mesmas áreas e circuitos cerebrais são alcançados.

“Como o olho é anatomicamente parte do cérebro, nos perguntamos se uma simples lente de contato poderia servir como uma porta de entrada suave e não invasiva para os circuitos cerebrais que controlam o humor”, disse Jang-Ung Park, pesquisador da Universidade Yonsei e autor sênior do estudo, em comunicado.

De acordo com o pesquisador, os sinais elétricos transmitidos são semelhantes a duas lanternas. “Cada feixe de luz individualmente é fraco, mas onde se sobrepõem, surge um ponto brilhante, e esse ponto brilhante pode ser criado a uma grande distância das próprias lanternas. Nossas lentes de contato fazem o mesmo com dois sinais elétricos inofensivos”, explicou. “Embora os eletrodos fiquem na superfície do olho, os sinais só se tornam ativos onde se encontram na retina, no interior do olho, ativando suavemente as conexões naturais que levam o sinal para as regiões do cérebro relacionadas ao humor.”

Testes em camundongos

Para o estudo, a equipe de pesquisa comparou quatro grupos: camundongos de controle não deprimidos, camundongos deprimidos que não receberam tratamento, camundongos deprimidos que receberam interferência temporal e camundongos deprimidos que receberam fluoxetina.

Para avaliar a depressão dos animais antes e após o tratamento, os pesquisadores utilizaram ensaios comportamentais, registros eletrofisiológicos cerebrais e análise de indicadores sanguíneos e cerebrais ligados à depressão.

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