Adolescente que estava com Ana Clara diz que homem desceu do carro com uma camisa no rosto: "Deu uma facada em mim"

Publicado em 14/05/2026, às 14h00
Depoimento de jovem aconteceu na Comarca de Maravilha, cidade onde ocorreu o crime - Divulgação / MP-AL
Depoimento de jovem aconteceu na Comarca de Maravilha, cidade onde ocorreu o crime - Divulgação / MP-AL

Por TNH1 com informações do MP-AL

O julgamento dos réus envolvidos no assassinato da adolescente Ana Clara Firmino da Silva, ocorrido em janeiro de 2025 em Maravilha, Alagoas, começou no Tribunal do Júri, com relatos de testemunhas que detalham o ataque violento que resultou na morte da menina de 12 anos.

Os depoimentos indicam que o crime foi motivado por ciúmes, com um dos acusados demonstrando interesse em Ana Clara e se revoltando ao vê-la conversando com outro adolescente, culminando em um ataque brutal que deixou a jovem morta com uma faca cravada nas costas.

O Ministério Público solicita a condenação dos réus por feminicídio e tentativa de homicídio, enquanto familiares de Ana Clara acompanham o julgamento, clamando por justiça e refletindo sobre a tragédia com cartazes durante a sessão.

Resumo gerado por IA

Um dos adolescentes que estava com a menina Ana Clara Firmino da Silva contou em depoimento, no Tribunal do Júri de Maravilha, Sertão alagoano, que um dos homens desceu do carro e o atacou diretamente com uma facada no dia 02 de janeiro de 2025, data em que a adolescente de 12 anos foi assassinada na cidade sertaneja.

O julgamento dos réus Lailton Soares da Silva, José Jonas da Silva Júnior e Edineide Pereira Santos começou na manhã desta quinta-feira, 14, no Fórum da Comarca de Maravilha. O juiz Jader de Medeiros Neto conduz o Tribunal do Júri.

O relato do jovem foi feito após questionamento da promotoria do Ministério Público do Estado (MP-AL). Naquele dia, Ana Clara estava na companhia de uma amiga e mais dois adolescentes. Foram esses dois jovens que deram depoimentos ao tribunal. 

"Estávamos no local, o carro chegou de repente, parou de vez. Aí desceu um homem da parte da frente, com a camisa no rosto, e já saiu e deu uma facada em mim. Aí ela mandou eu correr, eu corri e não vi mais nada. Aí chamaram uma ambulância pra me levar pra Santana (do Ipanema). Assim que ele desceu, já deu uma facada em mim", disse o adolescente em fala divulgada à imprensa pela assessoria do MP-AL, que está no tribunal acompanhando o julgamento.

Divulgação / MP-AL

O adolescente afirmou que tinham ido para a festa no município - dia 02 de janeiro é a data da Emancipação Política de Maravilha -, e lá conheceram as duas meninas. Os jovens foram para um local mais afastado da festa para que se conhecessem melhor. Foi quando eles foram abordados por um carro, onde os criminosos chegaram simulando um assalto, mas não levaram nenhum pertence das vítimas.

Ele disse que ficou sabendo pelas amigas da menina Ana Clara "que esse cabra (um dos réus) queria ficar com essa menina, mas ela não queria esse cabra", citou a assessoria do MP.

O adolescente relatou que o motorista do veículo chegou e freou o carro em cima do grupo. "Eles já sabiam que nós estávamos ali, porque assim que a gente chegou, o carro já apareceu em uns cinco minutos". Foi nesse momento que o ataque contra ele e Ana Clara começou.


Segundo adolescente depõe

O outro adolescente que estava com o grupo no momento do crime relembrou ao júri como tudo aconteceu. No relato, ele cita que os ocupantes que estavam na frente do carro (motorista e passageiro) já desceram do automóvel ameaçando.

"Um foi em direção ao meu amigo, que foi esfaqueado, outro pra cima de mim. Aí eu e a menina saímos correndo e, quando chegamos perto da creche, vimos a Ana Clara no chão", depôs o jovem em fala reproduzida pelo MP.

"A primeira porta que abriu foi do passageiro e logo depois o motorista veio na minha direção". A advogada perguntou se dava para visualizar se era um homem ou se poderia ser uma mulher. O segundo jovem respondeu: "Com certeza era um homem".


O julgamento

Um homem de 21 anos é apontado como autor do feminicídio. Também são réus um outro homem de 23 anos e uma mulher de 26 anos, acusados de participação no crime. Eles foram presos três dias após o assassinato. Os nomes dos réus são Lailton Soares da Silva, José Jonas da Silva Júnior e Edineide Pereira Santos.

Reprodução / MP-AL

Além do pedido de condenação por feminicídio, o Ministério Público também solicita a condenação por tentativa de homicídio triplamente qualificado contra o adolescente que sobreviveu ao ataque e que foi ouvido durante o julgamento.

Familiares de Ana Clara acompanham o julgamento e pedem justiça. Durante a espera pelo início da sessão, levaram cartazes com mensagens de reflexão sobre a vida.

Até a publicação desta reportagem, ainda não havia sido divulgado posicionamento da defesa dos réus. São cinco advogados no tribunal, três atuando diretamente e outros dois auxiliando. 


O caso

A morte de Ana Clara chocou a população de Maravilha no dia 2 de janeiro de 2025, quando ela foi encontrada com uma faca cravada nas costas, na mesma noite da festa da cidade.

Segundo os autos, um dos suspeitos tinha interesse de se relacionar com Ana e teria se revoltado ao vê-la conversando na calçada de uma creche com um adolescente. Os depoimentos colhidos durante a investigação do caso revelaram que o denunciado tinha o costume de vigiar e perseguir Ana Clara em festas e outros lugares públicos.

A jovem Ana Clara Firmino tinha apenas 12 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Ainda de acordo com o MPAL, dois casais de adolescentes estavam próximos a uma creche e conversavam, quando um carro, de cor prata, ocupado pelos três suspeitos, estacionou. Dois homens e uma mulher desceram do veículo e abordaram os casais.

Dois adolescentes, amigos de Ana, foram liberados pelo trio. Já a vítima e o adolescente que ela conversava foram feridos. O adolescente foi atingido por um golpe de faca nas costas, mas conseguiu fugir.

Ana não conseguiu se livrar das agressões e foi brutalmente atingida com golpes de faca na região glútea e escapular. Os criminosos ainda deixaram a faca peixeira cravada nas costas da menina e abandonaram o corpo.

O caso teve ampla repercussão e, a pedido do Ministério Público na época, as autoridades realizaram uma reprodução simulada para ajudar nas investigações.

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