A Ypê reabriu sua fábrica em Amparo, SP, após a Anvisa suspender a produção de detergentes e desinfetantes devido a falhas graves identificadas em inspeção, como corrosão de equipamentos e risco de contaminação microbiológica.
Entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a empresa registrou 80 lotes com resultados microbiológicos inadequados, incluindo a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, o que elevou preocupações sobre a segurança dos produtos.
Uma força-tarefa com 400 funcionários foi mobilizada para realizar manutenções e adequações nas instalações, enquanto a Anvisa deve decidir sobre a manutenção da suspensão, e os consumidores são orientados a não utilizar os produtos afetados até nova deliberação.
A Ypê abriu as portas da fábrica de Amparo, no interior de São Paulo, cinco dias após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspender parte da fabricação e da comercialização de detergentes, desinfetantes e lava-roupas líquidos. O objetivo foi mostrar as adequações realizadas após a fiscalização.
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O g1 e a ETV realizaram uma visita monitorada na segunda-feira (dia 11), um dia depois de o "Fantástico" divulgar detalhes do relatório sanitário que apontou falhas graves no processo produtivo.
Embora tenha conseguido efeito suspensivo automático ao recorrer da decisão da Anvisa, a fabricante optou por manter a produção parada nas plantas afetadas para acelerar o cumprimento das exigências. A diretoria colegiada da agência deve analisar nesta quarta-feira (13) se mantém ou não a suspensão da fabricação e da comercialização dos lotes de produtos com final 1.
O antes e depois da fiscalização
O relatório da inspeção apontou sinais de corrosão em equipamentos usados na fabricação de detergentes e lava-roupas líquidos, além de problemas no estado de conservação de tanques de manipulação e do armazenamento de restos de produtos devolvidos às linhas de envase. Segundo a Anvisa, essas falhas comprometem as boas práticas de fabricação e elevam o risco de contaminação microbiológica, com possibilidade de proliferação de bactérias, fungos e outros microrganismos nocivos.
Entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a empresa registrou 80 lotes com resultados fora da especificação microbiológica, incluindo testes positivos para a bactéria Pseudomonas aeruginosa.
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Força-tarefa
De acordo com Eduardo Beira, diretor executivo de Operações da Ypê e neto dos fundadores da empresa, uma força-tarefa foi montada desde a quinta-feira (dia 7), data em que a suspensão foi anunciada. Cerca de 400 funcionários passaram a atuar em três turnos para executar limpeza, pintura e manutenções nas áreas afetadas.
— Mobilizamos toda a equipe para que a gente trabalhasse em limpeza, em pintura, em manutenções. Estamos trabalhando realmente para resolver tudo aquilo que a Anvisa nos colocou — afirmou ao g1.
Segundo o executivo, muitos dos pontos citados no relatório não têm contato direto com os produtos e os lotes com presença da bactéria permanecem armazenados, sem risco de chegarem ao consumidor.
— O que nós estamos querendo mostrar é que a segurança do consumidor é algo que nós visamos, que nós nos preocupamos, e nós como organização, nós não colocaríamos em risco a saúde de ninguém — disse.
Especialistas apontam que, além da decisão desta semana sobre o efeito suspensivo, a Ypê ainda enfrentará a análise formal do recurso administrativo e o acompanhamento do eventual recolhimento dos produtos listados pela Anvisa. Até nova deliberação, a orientação oficial da agência permanece a mesma: os consumidores não devem utilizar os itens incluídos na medida sanitária, entre eles lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes de diferentes linhas da marca.
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