Leandro Machado e Jorge Abreu / Folhapress
Os bombeiros localizaram na manhã deste domingo (13) o corpo de uma menina de sete anos, aumentando para seis o número de mortos no desabamento de um prédio em cima de uma casa no bairro da Penha, zona leste de São Paulo.
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O corpo foi retirado do local no início da tarde. Segundo Robson Mitsu, comandante do 3º grupamento do Corpo de Bombeiros, o trabalho de emergência acabou. A partir de agora, diz, a remoção dos escombros será realizada pela prefeitura.
"Estávamos procurando oito pessoas que viviam nas casas. Havia a informação de que poderia haver vigilantes da obra do prédio, mas os próprios proprietários e advogados negaram essa informação", declarou. As demais vítimas eram dois homens e três mulheres, sendo uma delas grávida.
Também neste domingo, a Polícia Civil cumpriu o mandado de prisão contra um dos sócios-proprietários da construtora New Home. Ele, que não teve sua identidade divulgada, foi encaminhado para 24º Distrito Policial (Ponte Rasa).
A polícia deve cumprir ainda mais mandados de prisão contra outros dois responsáveis pelo empreendimento. Os crimes pelos quais devem responder não foram confirmados.
Procurado pela reportagem, o advogado da empresa disse que não deve se pronunciar no momento. Anteriormente, a New Home disse, em nota, que "não há elementos que permitam afirmar que a causa do incidente decorreu exclusivamente de conduta da construtora."
A edificação de 11 pavimentos ruiu por volta das 2h de sábado na rua Tequici. Os escombros atingiram uma residência vizinha, em que moravam nove, todas bolivianas. Além de residência, o imóvel também abrigava a oficina de costura em que eles trabalhavam.
Cinco vítimas eram bolivianas e uma paraguaia e viviam havia nove anos no Brasil. No 24º DP (Ponte Rasa), Patrícia Veiga, advogada do Consulado da Bolívia, afirmou que o órgão está tentando viabilizar o transporte das vítimas para a cidade de Oruro, na Bolívia.
"Esse foi o pedido da família. Eles tinham se mudado para a casa havia um mês. Nós acreditamos que não foi um acidente, e sim um homicídio. As condições daquele prédio eram muito precárias", diz.
Morreram Edelmira Titicayo Limachi, 26, seu marido Brayan Gery Gutierrez, 29, e o irmão dela Sergio Titicayo Limachi; Maria Elena Ramirez Titicayo e sua filha Shaira Diana Chinó Ramirez, 7; e Ana Lucia Ruiz Romero, 38.
A operação de resgate durou mais de 24 horas e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da Prefeitura de São Paulo.
Um homem e uma outra menina de cinco anos foram resgatados com vida. Eles tiveram ferimentos leves, entre contusões e escoriações, segundo o governo estadual.
Obra estava irregular, diz prefeitura
Ainda no sábado, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) esteve no local e disse que a obra estava irregular.
Segundo ele, a construção começou em 2019 e foi interditada pela prefeitura. Como a construtora não interrompeu a obra, mesmo após diversas multas, Nunes diz que em 2021 a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação judicial para suspensão imediata dos trabalhos no local.
"Ressalto que a construção começou em 2019, sem alvará. Foram feitas várias fiscalizações pela prefeitura. Nessas fiscalizações, foi identificado um problema estrutural", disse o prefeito.
A construtora apresentou um novo projeto em 2022 e um alvará foi emitido em 2023, com a determinação de que a estrutura existente fosse demolida, explica a prefeitura.
Em 2024, vistoria feita por servidora da Subprefeitura da Penha atestou a demolição. Mas, segundo Nunes, técnicos da prefeitura verificaram neste sábado, junto a vizinhos e imagens de satélites, que a demolição não foi feita.
Daniel Falcão, controlador-geral do Município, afirmou que a servidora, que não teve o nome revelado, foi afastada por 30 dias.
"Ela não pode continuar no cargo nesse momento para não atrapalhar a nossa investigação interna. Nós também já estamos junto com a Polícia Civil, junto com a delegada do 24ª Distrito Policial, para haver uma investigação criminal a respeito disso e entendermos o que aconteceu", frisou.
O local passará por perícia com a finalização da busca pelos desaparecidos sob os escombros.
A Polícia Civil investiga o caso e busca os donos da construtora para esclarecer as irregularidades apontadas pela gestão municipal.
A Defesa Civil avalia se as fortes chuvas que atingiram a cidade podem ter causado a queda do edifício.
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