Críticas de Guedes ao relatório da Previdência derrubam Bolsa

Publicado em 14/06/2019, às 20h53
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Folhapress

As críticas do ministro da Economia Paulo Guedes ao relatório da Previdência derrubaram a Bolsa brasileira nesta sexta-feira (14).

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O Ibovespa, que caminhava perto da estabilidade, caiu 1% com a declaração do ministro de que o relatório de Samuel Moreira (PSDB-SP) cede a privilégios e aborta a proposta de capitalização, gerando necessidade de nova reforma no futuro. O dólar acompanhou a aversão a risco e teve alta de 1,16%, a R$ 3,9000, maior patamar de junho.

O presidente da comissão especial que analisa a proposta, Marcelo Ramos (PL-AM), logo rebateu Guedes. "Nenhuma trapalhada do governo impede nosso trabalho em torno da reforma. Investidores receberam bem a proposta, paciência que o Guedes não gostou", disse Ramos em entrevista à Bloomberg.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) também respondeu o ministro. Ele afirmou que Guedes foi injusto em suas críticas e afirmou que o governo é uma "usina de crises".

Segundo Maia, a Câmara blindou o congresso de crises diárias provocadas pelo governo. "Dessa vez infelizmente foi meu amigo Guedes", afirmou em coletiva de imprensa em São Paulo.

O Ibovespa, maior índice acionário do país, teve trajetória de alta na semana e chegou a beirar os 100 mil pontos. O relatório de Moreira superou as expectativas de economia do mercado e foi bem recebido por investidores.

Nesta sexta, no entanto, o índice fechou em queda de 0,74%, a 98.040 pontos, com giro financeiro foi de R$ 16,769 bilhões. O recuo anulou parte dos ganhos do índice na semana, que teve um saldo positivo de 0,22%.

"Até a fala do Guedes estava tudo tranquilo, era mais uma sexta-feira no zero a zero, já que ao fim da semana as pessoas tendem a embolsar os ganhos. A crítica do ministro é ruim, uma situação muito chata. A expectativa depois da apresentação do relatório era de que as coisas fluíssem bem e, agora, temos mais esse estresse. Alguns investidores estão com medo do Guedes deixar o governo e isso seria terrível para o mercado, ele é o fiador da nova política econômica", diz Alexandre Espírito Santo, da Órama Investimentos.

No exterior o viés foi negativo com tensões entre Estados Unidos e Irã após ataque a dois navios petroleiros no golfo de Omã.

A queda na atividade industrial chinesa também gerou cautela nos investidores. A produção industrial cresceu 5% em maio em comparação ao ano anterior, menor nível em 17 anos. A expectativa do mercado era de crescimento de 5,5%.

O índice CSI 300, que reúne as Bolsas de Xangai e Shenzhen, caiu 0,83% e Hong Kong, 0,65%.

"O fraco desempenho da indústria chinesa aponta que a guerra comercial com os Estados Unidos já afeta o país. Além disso, os agentes financeiros no Brasil mostram preocupação com o andamento da reforma que se soma a manifestações contra o governo, a demissão inesperada do ministro Santos Cruz", afirma Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos.

A Broadcom, companhia americana que fabrica chips, reduziu sua projeção de lucro anual em US$ 2 bilhões devido a guerra comercial com a China. A queda de 5,6% das ações da empresa contaminou o índice Nasdaq, que recuou 0,5%.

No Brasil, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) caiu 0,47% em abril na comparação com março, o quarto resultado negativo seguido do indicador.

"O dado é estarrecedor e indica que teremos mais um trimestre negativo (-0,30%), o que configuraria um quadro de recessão técnica", aponta relatório da Guide Investimentos.

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