O Tempo
Pesquisar por “Euphoria” nas redes sociais e não se deparar com cenas de Cassie Howard, personagem interpretada por Sydney Sweeney, vestida como um cão é praticamente impossível. A jovem, que na nova leva de episódios atua como produtora de conteúdo adulto, mergulha numa série de fetiches que acabam virando assunto na web.
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Embora parte do público considere algumas das cenas problemáticas ou polêmicas, é impossível negar que os fetiches apresentados geram curiosidade em muitos espectadores. Segundo o sexólogo e biomédico Vitor Mello, esse interesse mostra uma mudança na forma como a sexualidade tem sido discutida. “Hoje existe muito mais abertura para falar sobre desejo e fantasia sem aquele tom exclusivamente proibitivo. Séries como ‘Euphoria’ acabam funcionando quase como um espelho de curiosidades que já existem no imaginário das pessoas, mas que antes eram escondidas”, explica.
Um dos temas que saiu do local mais “escondido” foi a macrofilia, fetiche que envolve, além da atração por pessoas extremamente altas, uma fantasia de gigantismo. Segundo o sexólogo, esse tipo de preferência costuma estar associada à sensação de poder, domínio ou admiração exagerada pelo corpo do outro. Em Euphoria, o tema aparece em cenas e diálogos da personagem Cassie, que são carregados de simbolismos sobre desproporção física e fascínio corporal.
“As pessoas acham que fetiche está sempre ligado a algo extremamente fora da realidade, quando na verdade muitos deles nascem de estímulos psicológicos, estéticos ou sensoriais relativamente comuns”, comenta Vitor.
Conheça os fetiches abordados na série
Role Play
Outro tema exibido em “Euphoria”, o role play é definido como a prática em que os parceiros interpretam personagens ou criam narrativas durante o sexo. A dinâmica pode envolver desde desconhecidos fictícios até relações de poder e situações fantasiosas.
“O role play mexe muito com imaginação. Para algumas pessoas, sair temporariamente da própria identidade cria liberdade emocional e aumenta a conexão com a fantasia”, explica o especialista.
Pet play
Entre os fetiches que mais chamaram atenção está o pet play, Nesta prática, uma pessoa assume características ou comportamentos inspirados em animais, o que pode incluir acessórios como coleiras, máscaras, orelhas e até interações baseadas em obediência e cuidado.
Embora muita gente tenha descoberto o termo agora, o fetiche já circula há anos em comunidades online e eventos específicos. “Existe um componente psicológico importante ligado à entrega, brincadeira, performance e dominação", afirma Vitor Mello.
Dogging
Já o dogging envolve excitação ligada à possibilidade de ser visto em situações íntimas ou manter relações em locais públicos e discretos. Em “Euphoria”, o clima de exposição constante, adrenalina e impulsividade dos personagens conversa diretamente com esse tipo de fantasia.
Para o sexólogo, parte do interesse nesse fetiche está relacionada ao fator psicológico do risco. “O cérebro humano responde muito à adrenalina. Para algumas pessoas, a ideia de quebrar regras ou viver algo considerado proibido intensifica o estímulo sexual”, diz.
Podolatria
A podolatria é o termo utilizado para descrever a atração sexual por pés. Neste caso, o interesse pode se manifestar de diferentes formas, indo desde a valorização estética da região até estímulos ligados ao toque, ao cuidado com os pés, ao cheiro ou a dinâmicas de submissão e admiração.
Em produções como Euphoria, esse tipo de fetiche não costuma aparecer de forma explícita, mas pode ser percebido na construção visual da série, que explora enquadramentos corporais e detalhes específicos do corpo como parte da linguagem de desejo dos personagens.
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