TNH1 com UOL
Os advogados da influenciadora Deolane Bezerra, presa nessa quinta (21) por suspeita de lavagem de dinheiro para a facção Primeiro Comando da Capital, conhecida como PCC, se pronunciaram sobre a detenção dela. A equipe afirmou que ressalta a "absoluta inocência" da advogada. "Fatos serão devidamente esclarecidos em momento oportuno", afirmou a nota.
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Segundo os advogados, as medidas tomadas contra Deolane foram "desproporcionais". Durante a audiência de custódia da influenciadora, os advogados pediram a libertação dela alegando que ela tem uma filha menor de 12 anos. Há entendimento no STJ (Superior Tribunal de Justiça) que mães de filhos menores que 12 anos podem ir para prisão domiciliar pela "presunção legal de cuidado materno".
A defesa não deixou claro se protocolaria um pedido de habeas corpus para a influenciadora. O UOL entrou em contato com os escritórios que a representam e aguarda retorno sobre o assunto. O espaço será atualizado se houver posicionamento.
A nota é assinada por Daniele Bezerra, advogada e irmã de Deolane, e por outros cinco advogados. Dois escritórios de São Paulo representam a influenciadora.
Deolane teve a prisão validada em audiência de custódia ontem e está na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte de São Paulo. A expectativa é de que ela seja transferida hoje para o Presídio Feminino de Tupi Paulista, a mais de 600 km de São Paulo.
Relembre o caso
Deolane foi presa ontem por suspeita de operar um esquema milionário de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). Denominada de Vérnix, a operação que prendeu a influenciadora foi deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo com o Ministério Público. Além dela, familiares de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, e o próprio foram alvos de mandados de prisão preventiva.
Investigação teve origem na troca de bilhetes e manuscritos ligados ao PCC. Material foi apreendido há sete anos em um presídio em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.
Bilhetes apreendidos em 2019 levaram a abertura de três inquéritos policiais. A polícia descobriu detalhes da estrutura financeira do PCC e identificou operadores financeiros da facção. As informações foram apresentadas em coletiva de imprensa realizada na tarde de hoje.
Manuscritos foram encontrados com dois presos e continham ordens internas da facção. Além disso, bilhetes também mostravam contatos com integrantes do alto escalão do PCC e referências a ações violentas contra servidores públicos. Um dos bilhetes, encontrado na cela de Gilmar Pinheiro Feitoza, o Cigano, afirmava que "aquela mulher da transportadora já entregou tudo certinho até o endereço novo do Bizzoto", ex-diretor de uma unidade prisional alvo de plano de atentado.
Tal menção levou a polícia a investigar transportadoras próximas à penitenciária. No inquérito, as autoridades identificaram Elidiane Saldanha Lopes Lemos, sócia da Lopes Lemos Transportes Ltda. Segundo a polícia, a apuração avançou a partir dessa transportadora e descobriu que a empresa não era apenas uma prestadora de serviços, mas uma "criação da própria facção".
Bilhetes não mencionaram o nome de Deolane diretamente. No entanto, eles foram o pontapé inicial que permitiu às autoridades chegarem até ela em fases posteriores.
Deolane foi identificada como beneficiária de vultosos valores oriundos da transportadora. Segundo os autos, ela teria recebido valores da empresa, descrita pelas autoridades como criada para operar o "branqueamento de recursos ilícitos".
Para os investigadores, ela era um "caixa do crime organizado". Segundo as apurações, o dinheiro do crime era depositado na conta dela para se misturar com outros valores e ser devolvido em momentos oportunos.
Fontes da Polícia Civil afirmaram que Deolane "sentiu o baque" ao descobrir que os mandados tinham relação com uma transportadora. Uma das maiores evidências de que ela tinha conhecimento da ação criminosa para a polícia é a inexistência de qualquer contrato, mesmo com a grande movimentação financeiro.
A irmã dela, Daniele Bezerra, afirmou que "tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações". Em publicação nas redes sociais, ela disse que a prisão nasce de alegações "cercadas de ilações, narrativas e perseguições".
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