Relembre o caso Marco Buzzi, ministro do STJ acusado de assédio sexual

Publicado em 06/08/2026, às 14h47
José Alberto/STJ
José Alberto/STJ

Por Folhapress

O ministro Marco Buzzi, do STJ, enfrenta um processo administrativo disciplinar por acusações de assédio sexual, estando afastado desde fevereiro e podendo perder o cargo. Ele nega as acusações, que envolvem incidentes com duas mulheres, uma das quais relatou ter sido agredida durante uma visita à casa do magistrado.

O Ministério Público Federal contesta a defesa de Buzzi, que alega disfunção erétil como justificativa para a impossibilidade de assédio, afirmando que o laudo urológico não exclui a prática de assédio sexual. Além disso, uma funcionária terceirizada do STJ também denunciou assédios ocorridos em seu gabinete ao longo de três anos, com apoio de outros servidores.

Após mudanças nas normas do CNJ, que eliminaram a aposentadoria compulsória como punição máxima, o MPF alterou sua posição e agora pede a perda do cargo de Buzzi. A situação permanece incerta, pois o processo disciplinar começou antes da nova regulamentação e há um processo criminal em andamento no STF.

Resumo gerado por IA

O processo administrativo disciplinar contra o ministro Marco Buzzi foi julgado nesta quinta-feira (6) pelo plenário do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e foi punido com a perda de cargo. Acusado de assédio e importunação sexual por duas mulheres, o magistrado está afastado das funções na corte desde fevereiro e pode perder o cargo. Ele nega todas as suspeitas.

Um dos episódios teria ocorrido em janeiro, em Balneário Camboriú (SC), contra a filha de um casal de amigos de Buzzi a família estava hospedada na casa do ministro. A jovem de 18 anos narrou que o homem, que tem 68 anos, a agarrou e tocou em suas nádegas enquanto ela tomava um banho de mar.

A defesa pede ao STJ a absolvição do magistrado. Um dos argumentos é o de que Buzzi teria disfunção erétil e mobilidade física reduzida, condições que, para os advogados, o impediriam de praticar os atos. Em depoimento à Corregedoria Nacional de Justiça, ao qual a coluna Mônica Bergamo teve acesso, a jovem afirma que não sabia se Buzzi estava excitado ou não, devido às camadas de roupa entre os dois.

O MPF (Ministério Público Federal), por outro lado, afirmou que o laudo urológico apresentado pela defesa indica uma disfunção moderada e não apontou impossibilidade da prática de assédio sexual. O órgão pediu a responsabilização de Buzzi e considerou que, segundo as provas colhidas, o ministro feriu preceitos de integridade pessoal e profissional, além de honra e decoro, todos obrigatórios para a magistratura.

A segunda acusação veio de uma funcionária terceirizada do STJ. De acordo com ela, os assédios teriam ocorrido dentro do gabinete do ministro ao longo de três anos, de 2023 a 2025. Ao menos dois outros servidores corroboraram o depoimento dela, como mostrou a Folha de S.Paulo. Os advogados do magistrado rebatem e afirmam que as acusações não foram corroboradas por provas autônomas.

Embora o MPF tenha inicialmente pedido aposentadoria compulsória de Buzzi, o fim desta medida como punição máxima a juízes que cometeram infrações graves foi confirmado na terça-feira (4) pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Com a decisão, magistrados poderão perder os cargos após processo triplo, passando pelos tribunais locais, pelo próprio conselho e, depois, pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Após a nova decisão, o MPF mudou de posição no julgamento desta quinta e pediu a perda de cargo como punição para Buzzi.

Em março, antes da nova norma do CNJ, o STF derrubou a aposentadoria compulsória como punição máxima a juízes e a substituiu pela perda do cargo. A avaliação no STJ, porém, era de que não havia clareza da abrangência da decisão, de modo que ministros da corte cogitavam impor tal pena a Buzzi.

Ainda não está claro se uma eventual condenação do ministro seria enquadrada nesse entendimento, pois o processo administrativo disciplinar começou antes da extinção da medida. Há também um processo em âmbito criminal contra Buzzi no STF, no qual o relator é o ministro Kassio Nunes Marques.

Marco Buzzi integra o STJ desde 2011, quando tomou posse após indicação da então presidente Dilma Rousseff (PT). O ministro fazia parte da Quarta Turma, focada em conflitos de direito privado.

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