Demência atinge 1 em cada 5 acima dos 80 anos de idade

Publicado em 11/08/2019, às 23h54
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Folhapress

Esquecer o que acabou de fazer, ter a impressão de que a disposição sumiu, repetir uma pergunta por algumas vezes e se sentir deprimido podem ser sintomas de que chegou a hora de buscar ajuda. Termo carregado de estigma e que ainda assombra muita gente, a demência atinge uma em cada cinco pessoas acima dos 80 anos e merece atenção da família e também dos cuidadores de idosos.

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"Demência é uma doença degenerativa cerebral que altera a cognição [percepção] com comprometimento da memória e da capacidade executiva, classificado em vários tipos. Demência senil é um termo em desuso. Os tipos mais comuns são a demência de Alzheimer, a vascular, por Corpos de Lewy e frontotemporal. Outras causas podem ser a hidrocefalia de pressão normal e a sífilis", afirma a geriatra Lilian de Fátima Costa Faria, da Secretaria Municipal da Saúde da capital.

Segundo a especialista, a demência é um problema emergente de saúde pública, porque o número de idosos em comparação com o restante da população é cada vez maior, e a doença é associada à idade. "Presente em 5% dos indivíduos acima de 60 anos, chega a 20% dos indivíduos acima dos 80 anos. Abaixo dos 60 anos a prevalência é muito baixa", explica.

A especialista da secretaria diz que as medidas para prevenir a demência são relacionadas ao controle dos fatores de risco, como diabetes, obesidade, hipertensão arterial sistêmica.

Tratamento

O tipo de tratamento depende da causa, sendo bastante difícil reverter os sintomas da doença a partir do momento em que ela se manifesta. "Na maioria dos casos, o tratamento resulta em redução da intensidade do declínio cognitivo, melhora dos sintomas comportamentais e melhora da qualidade de visa", afirma o neurologista do Hospital das Clínicas de São Paulo Fábio Porto.

Segundo Porto, o fato de ser quase impossível tornar a pessoa saudável novamente, o tratamento é válido mesmo assim. "É importante ressaltar que mesmo não existindo um tratamento curativo para a maior parte das doenças, ele pode oferecer melhora dos sintomas e da qualidade de vida", explica.

Auxílio da família e cuidadores é fundamental para o paciente

A família ou os cuidadores têm um papel fundamental no acompanhamento de alguém que passa pelas dificuldades provocadas pela demência. Desde a hora certa de dar a medicação até a sensibilidade para perceber que algo não vai bem com o idoso.

Segundo o neurologista Fábio Porto, um mito muito comum relacionada à doença é quando alguém afirma que é "normal para a idade". "Muitas vezes os familiares falam 'a memória da minha mãe está ótima, ele lembra de coisas de quando era criança'. Isso é um mito, pois na verdade a preservação da memória antiga e o prejuízo da memória recente é uma das características típicas da doença de Alzheimer", explica.

O especialista lembra que é comum pessoas com demência terem dificuldade para organizar as medicações sozinhas. "A não aderência ao esquema de remédios é um problema muito sério nessa população, sendo fundamental a supervisão para que a pessoa não tome as medicações de maneira incorreta e prejudique o tratamento", afirma. Evitar 'dar bronca' quando repete pergunta, criar rotina fixa, com atividade física, estímulo cognitivo e descanso e regularizar a alimentação são ações importantes. 

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