"Dignidade tem preço" - Um episódio sobre pesquisas eleitorais

Publicado em 23/05/2026, às 10h05

Flávio Gomes de Barros

Como este ano em Alagoas a pré-campanha eleitoral se transformou em campanha antecipada, o Tribunal Regional Eleitoral começou a precisar intervir mais cedo para conter as irregularidades que chegam ao seu conhecimento.

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Isso se intensificou desde o início de abril, quando os principais concorrentes ao governo do Estado, Renan Calheiros Filho (MDB) e João Henrique Caldas (PSDB), se desincompatibilizaram dos seus cargos - ministro dos Tranportes e prefeito de Maceió, respectivamente - e intensificaram a atuação nas ruas e nas redes sociais.

A intervenção mais recente do TRE/AL foi suspender a divulgação de uma pesquisa eleitoral sobre a disputa para os cargos de governador e senador em Alagoas.

Para quem ainda acredita em pesquisas eleitorais é preciso lembrar que elas são contratadas por empresas ou candidatos e que quase sempre os resultados só são divulgados quando interessam a quem as contratou.

Para falar sobre a vulnerabilidade dessas avaliações costumo lembrar um episódio de 1998, quando o ex-governador Manoel Gomes de Barros tentava a reeleição e foi procurado pelo representante de um famoso instituto de opinião, com atuação em todo o Brasil.

A proposta apresentada por ele foi bem objetiva: o tal instituto, que atuava em parceria com uma revista de grande circulação na época, realizaria cinco pesquisas de opinião até o dia da eleição e pretendia manipular os quatro primeiros resultados, para colocar o governador na frente.

A última pesquisa, segundo a proposta, teria de refletir o resultado real, "para a gente não perder a crredibilidade", disse, cinicamente, o cidadão, adiantando o custo por esse "serviço": R$ 800 mil, em valores de 28 anos atrás...

Manoel Gomes de Barros, que acabaria derrotado por Ronaldo Lessa na sua tentativa de reeleição, recusou de imediato a proposta, mas manteve sua dignidade.

Mano foi, inclusive, o único governador que não conseguiu renovar o mandato desde que o instituto da reeleição foi implantado na legislação brasileira.

E ainda há quem acredite em pesquisa eleitoral...

 

 

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