Revista Crescer
Duas mulheres de um trisal formado com um homem engravidaram praticamente ao mesmo tempo — uma de forma planejada e outra totalmente inesperada. A família, que já tem dois filhos, vive agora a expectativa pela chegada de mais dois bebês, enquanto reorganiza a rotina para dar conta da nova configuração.
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O trisal é formado por Amanda Oliveira Marques, de 33 anos, Gilsimar João da Silva, de 39, ambos de São José, Santa Catarina, e Amanda Rafaela Souza, de 31, de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Atualmente, Amanda Rafaela está com 12 semanas de gestação e Amanda Oliveira com 10.
Apesar de os três já estarem juntos há 7 anos, a relação começou entre Amanda Oliveira e Gilsimar, há 12 anos. Quando Amanda Rafaela entrou na vida deles, o casal já tinha Isadora, então com 2 anos.
A transformação de casal para trisal aconteceu de forma gradual. “Tudo começou com amizade: treinávamos juntas, saíamos juntos, frequentávamos festas e fomos nos aproximando muito – principalmente porque a Amanda Rafaela estava sozinha em Florianópolis”, relata Amanda Oliveira.
Com o tempo, o vínculo se intensificou e deu espaço para novos sentimentos. “Percebi que estava apaixonada e levei isso com transparência para o relacionamento”, afirma. A oficialização do trisal aconteceu em 19 de janeiro de 2019, mas o processo de adaptação exigiu esforço dos três.
“Não foi fácil no começo. Existia resistência emocional, a Amanda Rafaela tinha questões internas com o masculino e o Gilsimar teve dificuldade inicial em enxergá-la como esposa”, diz Amanda Oliveira.
Segundo ela, o relacionamento foi construído com diálogo e processos terapêuticos até chegar a um cenário de estabilidade. “Hoje, existe amor, respeito e uma relação afetiva sólida entre todos.”
Filhos, convivência e construção da dinâmica familiar
A formação da família incluiu experiências diferentes para cada filho. Isadora, hoje com 9 anos, já fazia parte da rotina quando Amanda Rafaela entrou no relacionamento e a adaptação foi tranquila. “Ela tinha 2 anos e lidou de forma muito natural com a presença dela. Existe amor, cuidado e vínculo. Ela a chama de ‘tia’, mas há um sentimento e respeito de mãe.”
Já João Guilherme, de 5 anos, nasceu com essa estrutura familiar. “Para ele, isso sempre foi natural. Ele reconhece as duas como mães, cada uma dentro da forma que ele criou e entende.”
A convivência sob o mesmo teto também foi construída ao longo do tempo. O trio mora junto há seis anos e relata que está há cerca de sete consolidando a relação dentro da mesma casa. O equilíbrio, no entanto, não foi imediato. “Hoje não existem conflitos de ciúmes, mas isso não veio fácil. Levou cerca de dois anos de muitos ajustes, conversas e amadurecimento para todos se sentirem seguros e felizes”, ela afirma Amanda Oliveira.
Segundo ela, os filhos não enfrentaram situações desconfortáveis relacionadas à configuração familiar. “Até hoje, não. Na verdade, as crianças costumam reagir com curiosidade ou até acham interessante. Claro que nem todos entendem, mas como dentro de casa isso é tratado com naturalidade, isso reflete fora também.”
Gravidezes simultâneas, reações e reorganização da família
As gestações atuais aconteceram em contextos diferentes dentro da mesma família. Amanda Rafaela havia decidido em 2025 que queria engravidar e iniciou tentativas, mas não teve sucesso. Diante disso, o trio quis investigar o motivo da dificuldade e acabou descobrindo que ela já estava grávida.
Uma semana antes, contudo, Amanda Oliveira também foi pega de surpresa e descobriu que estava grávida. “Ou seja: uma gestação vinha sendo desejada e a outra foi totalmente inesperada. No início, foi um choque”, ela conta.
Ainda assim, a decisão foi encarar a situação juntos. “Escolhemos olhar com fé e responsabilidade – entendendo que, se isso aconteceu, temos estrutura para acolher.”
A aceitação das famílias do trisal, que no início da relação teve resistência à ideia da relação, agora é diferente. “Hoje, temos apoio deles, mas não foi assim no começo. Houve julgamentos, resistência e dificuldade de aceitação. Com o tempo, convivência e consistência, isso mudou”, afirma Amanda Oliveira, destacando que a gravidez simultânea ainda causa surpresa entre familiares.
Já dentro de casa, a reação dos filhos foi positiva e participativa. “A Isadora brinca que queria um bebê reborn, e agora vai ganhar dois! O João está empolgado por ‘virar irmão mais velho’”, conta ela, ressaltando que ambos estão “carinhosos, participativos e envolvidos com a gestação”.
A nova fase também trará mudanças práticas na rotina de todos. “A realidade exige organização: precisamos de uma casa maior, vamos trocar de carro e ajustar toda a estrutura da família”, afirma Amanda Oliveira. Ela reforça que o momento está sendo vivido com planejamento. “Nada está sendo romantizado.”
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