Redação
O Engenho Piaçava Guassu (@piacavaguassu) nasceu oficialmente em outubro de 2024, mas sua história começou muito antes, com um sonho guardado por anos por Arlindo Ramos. Hoje jurista, ele sempre teve uma forte ligação com a química. No ensino médio, fez curso técnico em Química e chegou a iniciar Engenharia Química, em Campina Grande, na Paraíba. A vida acabou levando Arlindo para o Direito, mas a paixão pela química, e o desejo de um dia ter seu próprio alambique, nunca ficaram para trás. E não poderia haver lugar melhor para tirar esse sonho do papel do que Piaçabuçu, sua terra natal, no Povoado Sudene, 75, Piaçabuçu. Telefone: (82) 98809-5564
O sonho do pai acabou conquistando também o filho, André Brasil. Hoje, os dois são o coração do Engenho Piaçava Guassu, que foi além da produção de cachaças e licores e entrou também na rota do turismo alagoano, com visitas que contam a história da bebida, mostram o processo de fabricação e, claro, terminam com degustação. Nessa trajetória, entrou também o tempero do Sebrae, ajudando pai e filho a enxergar possibilidades, fazer conexões e transformar oportunidades em negócios.
Um nome que carrega Piaçabuçu
Até o nome do engenho revela a ligação com o território. Piaçava Guassu é uma homenagem a Piaçabuçu e remete ao significado de “palmeira grande”. “Queríamos que a identidade da empresa carregasse essa ligação com a nossa terra desde o nome”, conta André. Desde o início, pai e filho também imaginaram o engenho como algo maior do que uma fábrica de cachaça.
A inspiração veio das vinícolas que abrem suas portas aos visitantes e transformam a produção da bebida em experiência turística.“Nosso engenho é um ponto de encontro entre produto, história, cultura e turismo. A nossa intenção é mostrar que Piaçabuçu também pode ser destino de experiências ligadas à produção de bebidas, à gastronomia e à cultura local”, explica André. E é justamente aí que o Engenho Piaçava Guassu ganha um sabor especial: a cachaça deixa de ser apenas um produto na garrafa e passa a contar a história do lugar onde nasceu.
Cachaça, madeira e muitos sabores
Embora seja uma empresa jovem, o engenho já ampliou bastante seu portfólio. Atualmente trabalha com duas marcas: a Piaçava Guassu, linha premium, voltada para madeiras mais nobres e uma experiência mais sofisticada, e a Braba, de perfil mais descontraído e acessível. São mais de seis tipos de madeira utilizados no envelhecimento e armazenamento das cachaças, entre eles Carvalho, Amburana, Freijó, Jequitibá-Rosa, Bálsamo e Castanheira. Algumas ainda podem ser combinadas em blends, criando novos aromas e sabores.
André faz uma comparação que ajuda a entender esse universo: “Eu gosto de dizer que a madeira está para a cachaça assim como a uva está para o vinho. Cada madeira imprime características diferentes à bebida: aromas, sabores, cores, intensidade e complexidade.” É justamente essa diversidade que permite criar bebidas bastante diferentes a partir da mesma cachaça e alcançar públicos com preferências distintas.
“O portfólio Piaçava Guassu ainda está em construção. Estamos constantemente experimentando novas madeiras, combinações e possibilidades, porque acreditamos que a cachaça brasileira tem um universo enorme a ser explorado”, reforça André. Além das cachaças, o engenho produz licores de doce de leite e cappuccino e bebidas mistas, como a bananinha. A proposta é ampliar as possibilidades de consumo e mostrar a versatilidade da cachaça, aproximando tanto quem já aprecia a bebida quanto quem começa agora a descobrir esse universo.
Do canavial ao copo
A experiência começa com uma conversa sobre a bebida e segue até o canavial, onde o visitante encontra a matéria-prima ainda de pé. Depois, o roteiro passa pela caldeira e pela moenda antes de entrar na área de produção, onde é possível conhecer de perto as etapas de fermentação e destilação. Em seguida, chegam os barris e uma verdadeira aula sobre madeira. Carvalho, Amburana, Jequitibá e outras espécies ajudam a mostrar, na prática, como o armazenamento e o envelhecimento interferem na cor, no aroma e no sabor da cachaça.
E a visita termina do jeito mais saboroso: no empório. A visita sem degustação é gratuita. Para quem quiser provar as cachaças e licores da casa, a degustação custa R$ 25. Já a experiência harmonizada sai por R$ 40 e inclui petiscos pensados para acompanhar os diferentes rótulos. Depois é só escolher o que mais agradou ao paladar e levar um pedacinho de Piaçabuçu para casa.
O Engenho Piaçava Guassu funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, com intervalo para almoço das 12h às 13h. Aos sábados e domingos, abre das 9h às 12h. Grupos maiores precisam fazer agendamento prévio, garantindo acompanhamento durante todo o percurso. Já visitantes individuais e grupos pequenos, de até cinco ou seis pessoas, podem chegar sem agendamento. O engenho conta com estacionamento amplo e estrutura para receber grupos. A localização também ajuda a colocá-lo na rota turística: está a cerca de 20 quilômetros de Penedo, 50 quilômetros de Coruripe e a menos de duas horas e meia de Maceió ou Aracaju.Ou seja: dá para incluir a experiência tranquilamente em um roteiro de fim de semana pelo Baixo São Francisco, unindo história, paisagem, gastronomia e uma boa dose de cachaça alagoana.
Sebrae: conexões que viraram negócios
Para André, o Sebrae teve papel importante na construção desse caminho. “O Sebrae foi muito importante para a história da Piaçava Guassu. Eu diria que ele mudou, sim, os rumos da empresa, porque nos ajudou a enxergar possibilidades que, sozinhos, talvez não enxergássemos e, principalmente, a transformar essas possibilidades em negócios.”
Quando começaram, pai e filho tinham nas mãos um produto no qual acreditavam: uma cachaça produzida às margens do Rio São Francisco, carregada de identidade, história e potencial. O desafio era transformar tudo isso em uma empresa estruturada. Vieram então consultorias de marketing, apoio na construção do site, participação em missões e feiras e, principalmente, novas conexões.
“Uma das coisas mais importantes foi a capacidade do Sebrae de aproximar a Piaçava Guassu de pessoas, empreendedores, conhecimento e oportunidades. A partir dessas conexões, conseguimos nos aproximar de empresários da região que hoje são nossos parceiros, clientes e até fornecedores”, relata André. O Sebrae também acompanhou visitas a potenciais pontos de venda que poderiam se conectar com a proposta da marca. Segundo André, atualmente esses parceiros representam cerca de 40% do faturamento da empresa na região. Para ele, a relação ultrapassou a prestação de uma consultoria ou a participação em um curso.
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