A Ilha do Ferro, em Pão de Açúcar, é daqueles lugares para onde sempre quero voltar. Um povoado bordado pelo Boa Noite e um ateliê a céu aberto pelas mãos dos artesãos esculpindo madeira em pássaros, bichos, arvores... E cada casa é Alagoas Feito a Mão. Em julho deste ano, voltei com minha família. Mas minha história com a Ilha começou lá em 2000, quando quase não existia um cantinho para ficar. De lá para cá, muita coisa mudou. Chegaram novas hospedagens, os ateliês se multiplicaram e o povoado ganhou o mundo com sua arte. Mas a essência continua ali.
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Dessa vez, nosso aconchego foram as Casas Ilha do Ferro (@casasilhadoferro), da família do casal Maria Amélia e Dalton e a filha, Joana. E eu já começo gostando pelos nomes: ficamos na Beija-Flor e Sibite. Mais do que hospedagens, são verdadeiras galerias de arte. Cada detalhe chama o olhar, são artesanatos da Ilha do Ferro, quadros de Dalton, cerâmica da Maria Amelia, tudo dando vida a cada espaço da casa. A cozinha e o quintal das casinhas é meu xodó. Confesso: dá vontade de ficar nas casinhas para viver o sertão por completo. Não tem televisão, então tem vinhos, cervejas, sucos, comidinhas e muita conversas nas mesas.
E tem mais um bom motivo para ficar por lá: a Trilha da Cachoeira, idealizada pelos artistas plásticos Maria Amélia, Dalton e Joana. Atualmente são 2 quilômetros em meio à Caatinga preservada, com obras dos artesãos do povoado da Ilha do Ferro, Mata da Onça e Riacho Grande, além de obras próprios artistas Maria Amélia e Dalton. É a primeira trilha de arte de Alagoas. Para fazer a trilha com guia da comunidade é R$ 30,00. Moradores da comunidade e povoados vizinhos não pagam para fazer a trilha.
A cada passo pelo chão do sertão de terra, uma descoberta. Os cactos, a vegetação nativa, as formas da natureza e as obras de arte parecem conversar entre si. E a Ilha do Ferro surge por outro ângulo: a igreja, o Rio São Francisco e o povoado compõem uma paisagem que faz a gente parar para olhar a beleza da caatinga.
E a Cachoeira, existe? Maria Amélia, explica que sim, o período de chuvas, uma cachoeira se forma no percurso do Riacho do Cipó, na Ilha do Ferro, município de Pão de Açúcar. Uma queda d’água de 15 metros surge no meio da caatinga. E, claro, quando a cachoeira dá o ar da graça, a comunidade celebra o momento.
Quando fiz a trilha não cheguei na cachoeira, porque até ela são 6km, e atualmente são 2km de trilha, e a proposta cada ano é inaugurar trechos, e no primeiro quilometro teve o patrocínio do Itau Cultural e no segundo trecho o governo do Estado de Alagoas. Mas nesses dois quilômetros encontrei algo que valeu cada passo: Caatinga e arte misturadas no mesmo cenário, no território que inspira quem cria. São 20 artistas e 25 obras, com certeza a gente respira arte.
A trilha é de pouco impacto, tênis, roupa leve, água, barrinha de cereal ou fruta, fotografe cada arte, as flores do sertão, os cactos... Afinal, Ilha do Ferro é um bordado pelos mãos dos artesãos da caatinga.
Os artesãos e artistas da Trilha da Cachoeira: Amilton, Anita, Clemiton, Cinho, Dalton, Dão, Gledson, Jailton, Jamile, Maria Amélia, Boró, Walmir, Zé Crente, Petrônio, Ronalço, Cabaco, Yang, Salvinho, Aberaldo e Wandinho.
Então, por que sempre Ilha do Ferro?Porque há lugares que a gente visita e há outros que passam a fazer parte da nossa história. A Trilha da Cachoeira é mais um dos meus motivos para voltar à Ilha do Ferro. Mas tem mais, viu?
Casas Ilha do Ferro com conceito de hospedagem ateliê:
Casa Estrelinha (com vista para o Rio São Francisco) – Seis pessoas – Diária 1.050,00
Casa Sibite – quatro pessoas – R$ 700,00
Casa Beija-Flor – quatro pessoas – R$ 700,00
Casa Bolinho – quatro pessoas – R$ 700,00
Casa Toca do Frei – duas pessoas – R$ 480,00
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