Testosterona baixa nem sempre é culpa da idade: gordura visceral pode ter papel importante

Publicado em 11/09/2026, às 09h48
Divulgação/Instituto Homem
Divulgação/Instituto Homem

Por Assessoria

Um estudo com quase 5 mil homens revelou que altos níveis de gordura visceral estão associados a baixos níveis de testosterona, independentemente da idade, sugerindo que a composição corporal é um fator crucial na avaliação hormonal.

Homens com a mesma faixa de IMC, mas com maior gordura visceral, apresentaram níveis de testosterona entre 33% e 36% inferiores, destacando a importância de considerar a distribuição da gordura ao invés do peso total.

Embora a pesquisa não prove que a gordura visceral cause diretamente a redução da testosterona, especialistas recomendam que o tratamento deve focar na saúde metabólica e na composição corporal, em vez de apenas na reposição hormonal.

Resumo gerado por IA

A testosterona baixa nem sempre pode ser explicada apenas pelo envelhecimento. Um estudo com quase 5 mil homens, entre 20 e 59 anos, encontrou uma forte associação entre a quantidade de gordura visceral, acumulada profundamente no abdômen, e níveis mais baixos de testosterona.

Mesmo entre homens com a mesma faixa de IMC, aqueles com maior quantidade de gordura visceral apresentaram níveis do hormônio entre 33% e 36% menores do que os participantes com menor acúmulo desse tipo de gordura.

Segundo o médico Djairo Araújo, com atuação em Nutrologia e Medicina Esportiva, o resultado reforça a importância de avaliar a composição corporal além do peso.

“Existe uma tendência de atribuir testosterona baixa automaticamente ao envelhecimento. A idade influencia os níveis hormonais, mas a composição corporal e, principalmente, onde a gordura está acumulada também podem ter um papel muito importante”, explica.

A balança não conta toda a história

A gordura visceral fica ao redor dos órgãos e apresenta intensa atividade metabólica, estando relacionada a alterações como resistência à insulina, diabetes e maior risco cardiovascular.

O estudo também chama atenção para homens com peso considerado normal, mas que apresentam maior concentração de gordura visceral.

“É aquele paciente que aparentemente não tem obesidade, mas apresenta pouca massa muscular e maior concentração de gordura abdominal. O número da balança pode estar adequado e, ainda assim, a composição corporal não ser favorável”, afirma Djairo.

Apesar da associação encontrada, o estudo não comprova que a gordura visceral seja a causa direta da redução da testosterona. Sono inadequado, doenças, medicamentos e outras alterações hormonais também podem interferir nos níveis do hormônio.

Por isso, testosterona baixa em um exame não significa automaticamente indicação de reposição.

“Precisamos entender por que a testosterona está baixa. Em determinados pacientes, melhorar a saúde metabólica, reduzir gordura visceral e preservar ou aumentar a massa muscular pode fazer parte do próprio tratamento”, orienta o médico.

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