Preço do whey dispara em todo o mundo, e especialistas sugerem alternativas de proteína

Publicado em 10/09/2026, às 13h20
Imagem ilustrativa do Whey Protein - Gabriel Cabral / Folhapress
Imagem ilustrativa do Whey Protein - Gabriel Cabral / Folhapress

Por Vinícius Lemos / Folhapress

O preço do whey protein disparou devido ao aumento global do consumo, que se expandiu para além de shakes e barrinhas, incluindo bebidas e alimentos como pães e biscoitos. Essa alta demanda resultou em escassez da matéria-prima, impactando o mercado de suplementos.

As vendas de whey protein no Brasil cresceram 124% entre janeiro e outubro de 2025, impulsionadas pelo uso de canetas emagrecedoras que recomendam maior ingestão de proteínas. No entanto, a produção enfrenta desafios, como a capacidade limitada das fábricas e a baixa oferta de soro de leite devido à demanda por queijo.

Para lidar com a situação, especialistas sugerem alternativas ao whey, como caseína e proteína isolada de soja, e alertam sobre o risco de produtos adulterados no mercado. A recomendação é adquirir suplementos de marcas confiáveis e considerar fontes alimentares de proteína, como carnes e laticínios, para atender às necessidades diárias.

Resumo gerado por IA

O preço do whey protein, a proteína do soro do leite, disparou diante do aumento do consumo em todo o mundo. O suplemento deixou de ser usado apenas em shakes em pó ou barrinhas e virou ingrediente de bebidas, incluindo cerveja. Também chegou a biscoitos, pães e outros alimentos.

De acordo com levantamento da consultoria Scanntech, as vendas de whey protein subiram 124% em volume no varejo brasileiro entre janeiro e outubro de 2025. Para especialistas, a demanda levou à escassez da matéria-prima.

O consumo também foi impulsionado pelo uso das canetas emagrecedoras, pois usuários desses medicamentos são orientados a ingerir mais proteína. "Os suplementos proteicos, principalmente o whey, passaram a ser indicados para indivíduos que usam canetas emagrecedoras em todo o mundo, com o objetivo de minimizar a perda muscular", diz o nutrólogo Carlos Alberto Werutsky, diretor da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

A indústria, no entanto, enfrenta obstáculos para ampliar a oferta de whey. Feito a partir do soro do leite, o suplemento é principalmente um subproduto da fabricação de queijo, que passa por processos de filtração, concentração e secagem. Mas o consumo de queijo não acompanhou a alta da demanda por whey, apontam especialistas.

"Outro gargalo dessa cadeia é a capacidade das fábricas de filtragem e secagem, que não estão conseguindo atender a toda essa demanda", afirma Diego Freitas, CEO da Growth, uma das maiores marcas de suplementos do país.

Para produzir o suplemento em larga escala, as empresas precisam importar a maior parte da matéria-prima. Nos Estados Unidos, um dos principais fabricantes, o preço do whey com 80% de teor proteico quase triplicou em 2025, segundo dados da consultoria Vesper. Não há previsão de queda dos preços.

ALTERNATIVAS AO WHEY PROTEIN

Para quem já sente pesar no bolso e busca uma alternativa de suplemento, Werutsky sugere como alternativa a caseína (extraída diretamente do leite), a albumina (extraída da clara de ovo desidratada) e a proteína isolada de soja, que segundo ele têm quantidade de proteína praticamente semelhante ao whey.

Os especialistas também alertam que a alta do preço do whey pode favorecer o comércio de proteína adulterada, por isso o ideal é comprar apenas de lojas e marcas com boa reputação e desconfiar de preços muito abaixo do mercado.

A proteína também pode ser obtida da alimentação. Frango, carne bovina, peixes, ovos e laticínios estão entre as principais fontes.

O diretor da Abran lembra que os alimentos também fornecem uma combinação de nutrientes, como carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais, além de proteína. Os peixes, por exemplo, são ricos em ômega 3.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda um consumo diário de no mínimo 0,8 g de proteína por quilo de peso corporal para suprir as necessidades fisiológicas —100 g de peito de frango têm cerca de 30 g de proteína, por exemplo. Muitos nutricionistas, contudo, indicam de 1 g a 2 g de proteína por quilo ao dia, dependendo das características de cada pessoa.

Os veganos, afirma Werutsky, precisam combinar diferentes fontes para melhorar a qualidade da proteína ingerida. "Uma possibilidade é combinar cereais e leguminosas, como arroz e feijão. Também podem consumir suplementos de proteína vegetal, como a soja isolada."

Esse cuidado com o consumo diário de proteínas é fundamental para o bom funcionamento do corpo, diz o especialista. "Nosso organismo renova continuamente suas proteínas, por isso é importante consumir esse nutriente. Esse processo é fundamental para os músculos e outras estruturas do corpo", diz Werutsky.

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