Entenda como a deficiência de vitamina D pode ter relação com o risco de desenvolver varizes

Publicado em 18/08/2026, às 14h30
- A vitamina D participa de diferentes processos do organismo e pode ter relação também com a saúde vascular (Imagem: aijiro | Shutterstock)

Redação EdiCase

A vitamina D é um nutriente essencial para o funcionamento adequado do organismo, conhecido principalmente por sua participação na absorção de cálcio e fósforo e na manutenção da saúde dos ossos e dentes. Além disso, ela também contribui para o funcionamento normal dos músculos e do sistema imunológico.

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No entanto, esse nutriente também pode ter relação com a saúde vascular. Segundo o estudo “Association between vitamin D deficiency and incident varicose veins: a propensity score-matched cohort study”, publicado no periódico científico Frontiers in Nutrition, a deficiência de vitamina D foi associada a um risco 62% maior de desenvolvimento de varizes.

“O achado amplia a discussão sobre os diferentes fatores envolvidos nas varizes. Além da predisposição genética, das alterações hormonais e da sobrecarga sobre a circulação provocada por condições como gravidez, excesso de peso e longos períodos em pé, o estudo sugere que aspectos nutricionais também podem estar associados e merecem atenção”, explica a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Como o estudo foi conduzido?

A pesquisa incluiu dados de adultos com 40 anos ou mais que realizaram pelo menos duas dosagens de vitamina D entre 2010 e 2023. Os participantes foram separados conforme os níveis do nutriente e, em seguida, pareados de acordo com características clínicas, resultando em dois grupos comparáveis, cada um com mais de 257.651 pessoas.

O primeiro grupo incluía pacientes com deficiência de vitamina D, definida por níveis iguais ou inferiores a 19,9 ng/mL. No outro grupo estavam indivíduos com concentrações consideradas suficientes, a partir de 30 ng/mL. Assim, além do risco 62% maior de desenvolver varizes entre pessoas com deficiência de vitamina D, os pesquisadores também observaram uma associação entre a deficiência do nutriente e um risco 122% maior para varizes com úlceras, 171% para varizes com inflamação e 45% para outras complicações.

Hipóteses levantadas na pesquisa

Segundo a Dra. Aline Lamaita, uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores envolve a atuação da vitamina D sobre o endotélio, camada que reveste internamente os vasos sanguíneos. “O nutriente também participa de mecanismos relacionados ao controle da inflamação, do estresse oxidativo e da disponibilidade de óxido nítrico, substância que auxilia na regulação vascular”, afirma.

Ela explica que as varizes são resultado de uma combinação entre enfraquecimento da parede venosa, dilatação das veias, alterações nas válvulas responsáveis por conduzir o sangue de volta ao coração e um processo inflamatório local. “Por isso, faz sentido investigar se níveis baixos de vitamina D poderiam contribuir, direta ou indiretamente, para as varizes”, pontua.

Corrigir uma eventual deficiência de vitamina D com suplementação não substitui a investigação e o tratamento das varizes (Imagem: New Africa | Shutterstock)

Relação ainda precisa ser investigada com mais profundidade

O estudo avaliou ainda pessoas com níveis considerados insuficientes de vitamina D, entre 20 e 29,9 ng/mL, que também apresentaram risco 56% maior de desenvolver varizes em comparação com indivíduos que apresentavam concentrações a partir de 30 ng/mL.

“Apesar de relevantes para abrir novos caminhos de investigação sobre a prevenção e o tratamento das varizes, os achados devem ser interpretados com cautela. O estudo aponta uma associação que precisa ser melhor investigada, sem afirmar que a deficiência de vitamina D seja uma causa direta das varizes”, alerta a Dra. Aline Lamaita.

Isso porque, conforme explica a médica, pessoas com deficiência de vitamina D também podem apresentar outros fatores capazes de afetar a circulação, como menor exposição ao sol, sedentarismo, obesidade, doenças crônicas e hábitos de vida menos saudáveis. “E informações sobre exposição solar, prática de atividade física e hábitos de vida, por exemplo, não estavam disponíveis na base de dados analisada”, ressalta.

Ela também ressalta que os resultados não significam que repor vitamina D evitará o aparecimento de varizes ou que toda pessoa com varizes precise realizar a dosagem do nutriente para, necessariamente, iniciar suplementação.

“A indicação do exame deve considerar o histórico clínico, fatores de risco e avaliação médica individual. Da mesma forma, corrigir uma eventual deficiência com suplementação não substitui a investigação e o tratamento da circulação. Pessoas com veias dilatadas, dor, peso, inchaço, coceira ou feridas nas pernas devem procurar um cirurgião vascular”, finaliza.

Por Paula Amoroso

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