Entidades negras denunciam racismo em táxis em Salvador

Publicado em 27/07/2016, às 21h57

Redação

O Coletivo de Entidades Negras de Salvador organizou hoje (27) um ato contra o racismo policial e de taxistas na capital baiana em que foram denunciados casos como a detenção do jornalista e ativista negro Eduardo Machado, no dia 23 de junho.

LEIA TAMBÉM

Concentrados na Praça da Piedade, centro da capital, o grupo de ativistas seguiu em passeata até a Coordenadoria de Táxis e Transportes Especiais (Cotae) de Salvador, cantando palavras de ordem como “taxistas racistas não passarão”.

Discriminação

O jornalista Eduardo Machado conta que, em junho deste ano, tentou embarcar em um dos cinco táxis que estavam enfileirados à beira da praia, no bairro Calçada, onde estava com a esposa e um casal de amigos. Após a recusa de todos os motoristas, ele conta que questionou o porquê de não ter sido atendido, o que fez com que os taxistas chamassem a polícia. Após a chegada da viatura, Eduardo e um amigo foram colocados no camburão, onde permaneceram por duas horas, enquanto os policiais faziam davam voltas pela cidade. Depois disso, foram encaminhados para a Delegacia de Flagrantes, no bairro do Iguatemi.

“Já fizemos a denúncia em vários órgãos, inclusive no Ministério Público, após o ocorrido. Mas até agora não obtivemos nenhum retorno à altura, a respeito desse caso. Ao B.O. [boletim de ocorrência] eu nem tive acesso. Já se passou mais de um mês. Essa labuta que a gente vem fazendo só comprova o quanto é difícil fazer uma denúncia de racismo aqui no Brasil”, disse o jornalista de 32 anos, que também trabalha como articulador político do centro comunitário multimídia Agência de Comunicação do Subúrbio.

No dia da detenção, a esposa de Eduardo, a cineasta Larissa de Andrade, ficou no local após o ocorrido e entrou em contato com integrantes de coletivos negros, dos quais ambos fazem parte. Com isso, o assunto ganhou as redes sociais e, no fim da noite do dia 23, Eduardo foi liberado.

“Fui a vários lugares, nas ruas de Salvador, procurando por ele, desesperada, procurando meu companheiro e, independente disso, uma vida. A primeira questão é o direito à vida. Quando cheguei à delegacia, [houve] muita chacota. Não aconteceu nada, felizmente, mas estamos aqui, literalmente, lembrando que poderia ter acontecido alguma coisa por algo mínimo que foi tentar ir para casa e ter uma corrida negada”, disse Larissa.

Larissa e Eduardo acreditam que o caso foi resolvido no mesmo dia porque ambos fazem parte de grupos do movimento negro. Com a repercussão quase instantânea do caso, a ouvidora do Governo da Bahia, Vilma Reis, foi pessoalmente à delegacia resolver o assunto.

Protesto

No protesto de hoje, ao chegar à sede da Cotae, várias manifestantes deram depoimentos sobre casos em que foram discriminados ou preteridos por taxistas em Salvador. O casal Eduardo e Larissa foi recebido na sala do coordenador da entidade, Marcelo Tavares, que alegou não saber do caso.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Mobilidade do município (Semob) informou, em nota, que “não pode se pronunciar por se tratar de um crime de racismo”. Sobre as denúncias de violência policial, a Secretaria de Segurança Pública do Estado não respondeu até o fechamento desta matéria.

Entidades negras denunciam racismo em táxis em Salvador
Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Renegociação de dívidas do Fies pode ser feita até 16 de setembro Justiça mantém suspensão de demissões em massa das Casas Bahia Projeto permite usar o FGTS para comprar outro imóvel; veja regra PF faz busca e apreensão em Instituto de Previdência de Campo Grande por investimentos no Master