O crescimento do uso do medicamento Mounjaro para emagrecimento tem acendido um alerta entre profissionais da saúde sobre os riscos da utilização sem acompanhamento adequado. A nutricionista esportiva, Bruna Ventura, alerta sobre os impactos que o uso indiscriminado do medicamento pode causar no organismo, especialmente relacionados à deficiência nutricional, perda de massa muscular e alterações psicológicas.
Atuando há dois anos na área de nutrição esportiva, Bruna explica que o principal problema do uso sem orientação médica e nutricional está na redução excessiva do apetite, o que compromete a ingestão de nutrientes essenciais.
Segundo Bruna Ventura, muitas pessoas associam sintomas como queda de cabelo diretamente ao medicamento, quando, na verdade, o problema está ligado à deficiência de vitaminas causada pela baixa alimentação. “Com a diminuição do apetite, a pessoa acaba deixando de comer e isso provoca queda de vitaminas e minerais importantes para o organismo”, explicou.
De acordo com a nutricionista, o acompanhamento multidisciplinar é fundamental durante o tratamento, envolvendo endocrinologista, nutricionista, psicólogo e prática de atividade física. “Cada organismo reage de uma forma. É preciso acompanhar a reposição de vitaminas, proteínas e minerais, além de preservar a massa muscular”, afirmou.
Bruna destaca o papel do nutricionista no acompanhamento de pacientes que utilizam o medicamento. Segundo ela, o foco é evitar a perda excessiva de massa muscular, conhecida como sarcopenia, além de orientar sobre alimentação adequada e suplementação.
Entre as recomendações mais comuns estão o aumento do consumo de proteínas, uso de creatina para preservação muscular e suplementação de fibras para combater a constipação intestinal, um dos efeitos colaterais mais frequentes do medicamento.
Atualmente, a nutricionista acompanha 16 pacientes que fazem uso de análogos como o Mounjaro. A maioria apresentou evolução positiva, mas quatro pacientes tiveram ganho de peso devido a alimentação inadequada e ausência de hábitos saudáveis.
“Não adianta usar o medicamento apenas para emagrecer sem mudar o estilo de vida. A alimentação e a atividade física fazem parte do processo”, ressaltou.
Apesar dos riscos do uso sem orientação, Bruna se posiciona favorável ao medicamento quando utilizado corretamente e com acompanhamento profissional. Ela destacou que o tratamento pode ser um aliado importante em casos de resistência à insulina, compulsão alimentar e outros distúrbios metabólicos.
A especialista reforça que a prática regular de exercícios físicos é indispensável para pacientes em tratamento. “A atividade física e o acompanhamento nutricional caminham juntos. Um complementa o outro”, concluiu.
Entre os casos acompanhados por Bruna, uma paciente conseguiu perder 16 quilos de forma saudável com acompanhamento nutricional aliado à prática de exercícios físicos.