Estudo aponta risco maior de glaucoma entre homens que usam tadalafila por longos períodos

Publicado em 09/09/2026, às 21h24
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Galileu

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A tadalafila, medicamento que ganhou notoriedade para tratar disfunção erétil, pode estar relacionada a um risco maior de glaucoma quando usada por longos períodos. Um estudo com quase 74 mil homens encontrou uma associação entre o uso do remédio e uma probabilidade 22% maior de desenvolver a doença.

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Publicado em 4 de agosto na revista British Journal of Ophthalmology, o estudo analisou dados de 73.854 homens com 40 anos ou mais disponíveis na TriNetX, uma rede global de pesquisa em saúde e plataforma de dados clínicos.

Metade desse grupo havia recebido prescrição de tadalafila ou de outro medicamento da mesma classe, com foco no tratamento da hiperplasia prostática benigna (aumento natural da próstata que dificulta o ato de urinar). Já a outra metade não tomava nenhum desses medicamentos.

Como aponta comunicado, os pesquisadores acompanharam os participantes por até cinco anos e compararam a ocorrência de glaucoma, hipertensão ocular e início de tratamentos contra a doença. Os grupos foram pareados levando em consideração características que poderiam influenciar os resultados, como idade, etnia, tabagismo, transtornos relacionados ao consumo de álcool, medicamentos usados e condições de saúde preexistentes.

Risco de aumento da doença

Entre os homens que usava tadalafila, a incidência acumulada de glaucoma em cinco anos foi de aproximadamente 3,93%, contra 3,16% no grupo de comparação. Ou seja, usuários do medicamento apresentaram risco 22% maior de receber um diagnóstico de glaucoma.

Vale notar que o aumento de 22% se refere ao risco relativo, e não à proporção de usuários que desenvolverão a doença. Em uma comparação hipotética envolvendo 10 mil pessoas com proporções semelhantes às observadas no estudo, seriam cerca de 393 diagnósticos no grupo exposto ao medicamento contra 316 no grupo de comparação — uma diferença de aproximadamente 77 casos.

A hipertensão ocular foi 32% mais frequente, enquanto o glaucoma primário de ângulo aberto — a forma mais comum da doença — apareceu com frequência 33% maior. O início de tratamento contra glaucoma também foi 33% mais provável entre os usuários.

Por que a tadalafila poderia afetar os olhos?

A tadalafila pertence à classe dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5i), que também inclui medicamentos como sildenafil, vardenafil e avanafil. Esses remédios têm foco em aumentar o relaxamento da musculatura lisa - o que facilita, por exemplo, o ato de urinar e o suporte sanguíneo em áreas como o pênis.

Uma das hipóteses investigadas é que a ação do remédio provoque alterações na circulação sanguínea ocular, com possível impacto sobre o nervo óptico. Retina, coroide e nervo óptico dependem de um equilíbrio entre circulação sanguínea, pressão arterial e pressão intraocular.

No entanto, ainda não existe um mecanismo comprovado que explique a associação encontrada. Também não é possível afirmar que cada dose de tadalafila aumente a pressão intraocular, e os pesquisadores defendem novos estudos para entender como o uso prolongado de inibidores da PDE5 poderia afetar a fisiologia ocular.

Estudo não prova que tadalafila causa glaucoma

Por se tratar de um estudo observacional e retrospectivo, os resultados apontam uma associação, mas não permitem estabelecer uma relação direta de causa de efeito. Os pesquisadores também não conseguiram acompanhar mudanças nas prescrições ou saber exatamente como os medicamentos foram utilizados ao longo do período analisado.

Outro ponto é que os participantes eram homens com 40 anos ou mais que apresentavam sintomas urinários, situação em que a tadalafila pode ser usada diariamente e durante períodos prolongados. Por isso, os resultados não podem ser automaticamente aplicados, por exemplo, a homens mais jovens que utilizam o medicamento ocasionalmente para disfunção erétil. A maior parte dos participantes também era branca, o que pode limitar a aplicação dos resultados a outros grupos.

Apesar da associação observada, os pesquisadores não recomendam que pacientes interrompam o uso da tadalafila por conta própria. Para pessoas que utilizam o medicamento por períodos prolongados, especialmente aquelas que já apresentam fatores de risco para glaucoma, os autores destacam a importância de avaliação oftalmológica inicial e acompanhamento regular.

Entre os grupos que podem merecer atenção especial estão pessoas que já têm glaucoma ou hipertensão ocular, histórico familiar da doença, alta miopia ou que precisam utilizar a tadalafila por longos períodos.

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