EUA anunciam novo ataque a barco no Caribe que seria de guerrilha colombiana

Publicado em 19/10/2025, às 13h54
EUA anunciam novo ataque a barco no Caribe que seria de guerrilha colombiana - Reprodução / X / @SecWar

Guilherme Botacini / Folhapress

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou neste domingo (19) que os militares destruíram mais uma embarcação no Caribe e mataram três tripulantes. O barco, que teria sido destruído na sexta-feira (17), teria ligação com o Exército de Libertação Nacional (ELN), uma guerrilha da Colômbia.

LEIA TAMBÉM

Esta é a primeira vez, desde que Washington começou a bombardear embarcações no mar do Caribe há semanas, que o governo do presidente Donald Trump afirma ter destruído um barco ligado a uma organização colombiana --até o momento, os alvos eram divulgados como supostamente venezuelanos.

On October 17th, at the direction of President Trump, the Department of War conducted a lethal kinetic strike on a vessel affiliated with Ejército de Liberación Nacional (ELN), a Designated Terrorist Organization, that was operating in the USSOUTHCOM area of responsibility.

The… pic.twitter.com/1v7oR879LC

— Secretary of War Pete Hegseth (@SecWar) October 19, 2025

 

"Esses cartéis são a Al Qaeda do hemisfério ocidental, usando violência, assassinato e terrorismo para impôr a vontade deles, ameaçando a segurança nacional e envenenando nosso povo. Os militares dos EUA vão tratar essas organizações como os terroristas que são --eles serão caçados e mortos, como a Al Qaeda", escreveu Hegseth, em publicação no X com vídeo da suposta ação.

Como em outros episódios semelhantes, além das imagens aéreas em vídeo, o governo Trump não providencia evidências sobre a filiação da embarcação, sua mercadoria e seus tripulantes.

Poucas horas antes, o presidente americano havia publicado na rede Truth Social mensagem em que chamava Gustavo Petro, presidente da Colômbia, de "líder de drogas ilegais" e sugeria que os EUA poderiam atacar produtores de droga em solo colombiano.

"O presidente Gustavo Petro, da Colômbia, é um líder de drogas ilegais encorajando fortemente a produção massiva de drogas, em grandes e pequenos campos, por toda a Colômbia. Tornou-se o maior negócio da Colômbia, de longe, e Petro não faz nada para parar isso, apesar de pagamentos e subsídios em larga escala dos EUA que não são nada além de um roubo de longo prazo contra a América", escreveu Trump.

"O propósito dessa produção de droga é a venda de quantidades massivas nos EUA, causando morte, destruição e caos. É melhor que Petro, um líder pouco qualificado e muito impopular, desrespeitoso com a América, feche esses campos de morte imediatamente, ou os EUA vão fechá-los por ele, e não será bacana", afirmou.

Em seguida, Petro respondeu em publicação no X dizendo que Trump está enganado. "O principal inimigo que teve o narcotráfico na Colômbia foi no século 21, o que descobriu suas relações com o poder político da Colômbia: foi eu", escreveu Petro.

A declaração de Trump coloca ainda mais tensão na América do Sul. Desde que voltou à Casa Branca, o presidente americano declarou cartéis latino-americanos como terroristas e tem feito pressão em governos da região para coibirem o tráfico de drogas.

Além disso, a retórica de Trump têm mesclado as ideias de guerra às drogas e guerra ao terror, que guiaram a política externa militar americana nas últimas décadas, para justificar ataques a embarcações no mar do Caribe que supostamente seriam de narcotraficantes --as ações são criticadas por governos da região, opositores e especialistas jurídicos, que não enxergam legalidade na ofensiva.

O resultado prático, até o momento, das tropas e navios de guerra americanos posicionados no Caribe é o de exercerem pressão contra o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, que também é classificado pelo presidente americano como um líder narcotraficante.

Trump autorizou a CIA, a agência de inteligência americana, a realizar operações em solo venezuelano, inclusive terrestres, com o objetivo de derrubar Maduro. A autorização elevou ainda mais as tensões por ser a indicação mais clara de que os EUA poderiam eventualmente de fato invadir a Venezuela.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Supertatuada vai vir ao Brasil para refazer modificação corporal Câmara dos EUA aprova projeto que limitaria poderes de guerra de Trump Adolescente vai ao dentista com dor de dente e recebe diagnóstico chocante Influenciadora organiza ‘chá revelação de infidelidade’ para amiga traída