Evitando Del Nero, Fifa fiscalizará uso de US$ 100 milhões no Brasil

Publicado em 14/09/2017, às 16h23

Redação

A Fifa e a CBF chegaram a um pré-acordo para criar uma estrutura separada para receber os recursos prometidos da Copa do Mundo de 2014, no valor de US$ 100 milhões (cerca de R$ 311 milhões). Com a criação da nova estrutura, as entidades saem de um impasse de três anos e evitam que o dinheiro seja transferido para o controle de Marco Polo Del Nero, presidente da CBF e indiciado nos Estados Unidos por corrupção. Para chegar a esse entendimento, a Fifa exigiu novos controles sobre o destino dos recursos, fiscalização e um programa de compliance por parte da entidade brasileira. 

LEIA TAMBÉM

Prometido em 2014, os US$ 100 milhões faziam parte de um fundo para o legado da Copa e seria investido nos estados que não receberam jogos do Mundial de 2014. Mas, com o indiciamento de Del Nero em 2015, toda a transferência foi suspensa. 

Nos últimos meses, a entidade brasileira fez lobby para que o dinheiro fosse liberado, alegando que não poderia esperar de forma indefinida e nem uma solução para a questão de Del Nero. Para os advogados da Fifa, transferir dinheiro para a CBF sob o comando de alguém investigado poderia minar sua defesa nas cortes de Nova York.

Nas últimas semanas, a secretária-geral da Fifa, Fatma Samoura, enviou uma proposta de contrato para a CBF. Mas o texto foi rejeitado.

Nesta quinta-feira, num encontro que contou com uma ampla delegação brasileira, foi acordado que uma "nova estrutura" será criada até o final do ano. Nela, Fifa e CBF seriam sócias na gestão dos recursos a serem aplicados no Brasil. 

Nos próximos três meses, advogados de ambos os lados vão se reunir para montar a nova empresa. Uma vez estabelecida, os recursos poderiam começar a ser liberados aos poucos, a partir de 2018. 

Assim, a Fifa ao mesmo tempo atende a CBF e ganha tempo para avaliar qual será o impacto do processo nos EUA contra o ex-presidente da entidade brasileira, José Maria Marin. 

CONTROLES - Durante a reunião desta quinta-feira, a Fifa também aceitou criar mecanismos extras de controle para começar a liberar o dinheiro que a CBF tem direito a receber como membro da entidade máxima do futebol. 

Estes recursos e até prêmios estavam congelados. Em 2016, a CBF deveria ter recebido US$ 1,25 milhão, mesmo valor de 2017. Mas isso não foi pago, exatamente por conta da situação de Del Nero. Nem mesmo o prêmio pelo Mundial de Futebol de Praia havia sido liberado. 

Fontes em Zurique revelaram ao Estado que, a partir de acordo, o setor de compliance de ambos os lados criarão mecanismos de controle para permitir que os recursos sejam transferidos ao Brasil. 
CBF - Em nota, a entidade brasileira avaliou como positiva a reunião desta quinta. "O encontro foi muito positivo e realizado num ambiente de cooperação mútua. A Fifa reconhece o excelente trabalho que a CBF vem realizando na área de Governança e Conformidade", registrou a CBF. 

A entidade confirmou o novo acordo para a liberação do dinheiro e não revelou o prazo para a finalização do acerto. "Considerando a grande importância do Fundo de Legado da Copa do Mundo de 2014 para que a CBF e a Fifa implementem projetos de desenvolvimento do futebol brasileiro, as entidades concordaram em estabelecer um novo marco de trabalho dedicado a coordenar de forma eficiente a execução deste Programa de Desenvolvimento. Com relação a ele, as entidades irão finalizar os detalhes e a divulgação ocorrerá em breve, sendo o início dos trabalhos desse novo marco previsto ainda para este ano."

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Mourinho indica três reforços para o Real Madrid; veja os nomes Exame mostra que Neymar avança na recuperação; tratamento segue na Seleção Neymar faz exames para saber se poderá jogar na estreia do Brasil na Copa James Rodríguez vira centro de polêmica após ignorar filha de presidente da Colômbia