Ex-juiz acusado de agredir a mulher apresenta atestado e adia depoimento

Publicado em 18/05/2018, às 17h25

Redação

O ex-presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos Roberto Caldas apresentou nesta sexta-feira (18) atestado médico de dez dias e conseguiu adiar seu depoimento na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher de Brasília.

LEIA TAMBÉM

Nem a polícia nem a assessoria de Caldas divulgaram o teor do atestado. O ex-juiz da corte é suspeito de ter agredido a ex-mulher Michella Marys Santana Pereira e de ter ter cometido assédio sexual contra duas funcionárias domésticas.

A delegada Sandra Gomes Melo, que preside o inquérito, afirmou que vai remarcar o depoimento. Após a conclusão do trabalho da polícia, que pode ou não indiciar Caldas, o caso segue para análise do Ministério Público, a quem cabe decidir se haverá denúncia criminal à Justiça.

"Sou estudiosa do assunto e digo que o atual caso é um segundo marco. A lei Maria da Penha mostrou toda a cara dessa violência, tirou essa violência do abrigo das quatro paredes e mostrou que ela existe. Agora, 12 anos depois, nos deparamos com um caso como esse", afirmou a delegada.

Ela se refere ao fato de Caldas ter integrado instituição com atuação mundial de combate à violência contra a mulher e que foi responsável por recomendar ao Brasil, entre outras coisas, a aprovação da Lei Maria da Penha. O advogado de Michella, Pedro Calmon, afirmou já ter reunido pelo menos seis testemunhas das supostas agressões físicas e verbais cometidas por Roberto Caldas.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-juiz negou agressões físicas para além de "empurrões", reconheceu xingamentos e duas relações extraconjugais com ex-funcionárias, mas afirmou que a ex-mulher preparou armadilhas para incriminá-lo.

Michella procurou nas últimas semanas a polícia relatando agressões físicas e verbais contínuas. Em áudios de discussões gravados por ela, Caldas a chama de "cachorra" e "vagabunda", entre outros termos. Há ainda barulhos nos áudios que sugerem ter havido agressões. 

Em 2012, Caldas foi eleito para compor a corte sediada em San José, na Costa Rica. O advogado também integrou a Comissão de Ética Pública da Presidência da República de 2006 a 2012. Após o escândalo vir à tona, ele renunciou ao mandato e se afastou do escritório trabalhista em que atuava.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Helicópteros que colidiram no Rio voavam em operação baseada na observação dos pilotos Vídeo mostra momento em que helicóptero cai no Rio de Janeiro; veja Youtuber argentino Gaspi e cantor americano Oliver Tree estão entre as vítimas de acidente de helicóptero no Rio; veja lista Seis pessoas morrem após colisão de 2 helicópteros no Rio de Janeiro