FBI intima banco a indicar rota de propinas para dirigentes

Publicado em 29/02/2016, às 10h10
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Redação

A Justiça norte-americana intimou o Citibank a prestar esclarecimentos diante dos indícios revelados pela investigação do FBI que apontam que o banco era usado pelo brasileiro J. Hawilla para distribuir milhões de dólares em propinas para dirigentes sul-americanos. A intimação não significa necessariamente que o banco será denunciado. Mas revela que as investigações sobre a corrupção no futebol foram ampliadas e entram em uma nova fase: a de traçar a rota do dinheiro.

Diversas instituições, como o HSBC e o Barclays, já admitiram que foram alvo de questionamentos por parte dos americanos. Outros, como o JPMorgan, foram citados no indiciamento de dirigentes, no dia 27 de maio de 2015. 

Agora, porém, o Citibank admite que está sendo alvo de uma convocação oficial, a primeira de um banco desde que o caso eclodiu há nove meses. Em um comunicado a investidores emitido no fim de semana, o banco apontou que a intimação ocorre por conta de "relações bancárias e transações no Citibank associados com certos indivíduos e entidades identificadas como tendo tido envolvimento com uma conduta supostamente corrupta".

Ao jornal O Estado de S. Paulo, fontes próximas ao caso nos Estados Unidos indicaram que as investigações têm relação direta com os contratos da Conmebol para a Copa América. Dois pagamentos foram feitos pela conta da Traffic International no Delta National Bank ? Manuel Burga, a peruana; Luis Chiriboga, a equatoriana; Rafael Esquivel, a venezuelana; e o argentino José Luis Meiszner foi secretário-geral da Conmebol.

O Citibank teria ainda sido usado para pagamentos de propinas da Traffic para Jack Warner, ex-vice-presidente da Fifa, além de Jeffrey Webb, outro ex-vice da Fifa.

REFORMA DA FIFA - Neste domingo, o novo presidente da Fifa, Gianni Infantino, garantiu que, em seu primeiro dia de trabalho, vai já se debruçar na reforma da entidade e em atender aos pedidos de cooperação com os Estados Unidos. Questionado se "mais dores" atingiriam a Fifa no futuro, respondeu: "Mais alegria virá”. 

A urgência de Infantino em implementar reformas não ocorre por acaso. A Fifa havia sido alertada meses antes de sua eleição, ocorrida na sexta-feira, que corria o risco de ser considerada como uma "organização criminosa" pela Justiça americana caso não mudasse.

Isso implicaria que seus ativos seriam congelados e que empresas americanas - como a Coca-Cola ou Visa - estariam obrigadas a se desfazer de seus contratos com a entidade. Na prática, tal acusação encerraria as atividades da Fifa. Infantino, portanto, assume com a meta de mostrar que a Fifa também foi uma vítima de dirigentes corruptos.

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