O desastre ambientel causado pela Braskem em Maceió continua tendo desdobramentos.
Enquanto a empresa indenizou quase todas as vítimas e tenta acordos com credores para fechar uma recuperação extrajudicial, a situação das áreas afetadas permanece sendo um problema.
Uma das compensações seria a criação de unidades de preservação, como defende Flávia Moura, bióloga e professora da Ufal, em artigo publicado originalmente no portal "082 Notícias:"
"O crime ambiental causado pela mineração de sal-gema em Maceió gerou um dos maiores passivos socioambientais da história do País. Bairros inteiros foram destruídos e milhares de pessoas perderam suas casas. Apesar da dimensão dos danos, as medidas adotadas até agora se concentraram essencialmente em compensações financeiras. Não houve a criação de unidades de preservação que preservariam áreas naturais como compensação ambiental proporcional ao impacto causado.
Enquanto isso, as restingas alagoanas, já degradadas pela ocupação desordenada causada inclusive pela demanda de novas moradias em consequência do desastre, continuam sofrendo novos impactos associados à extração de sedimentos para estabilização e tamponamento das áreas afetadas pela mineração. Até o momento não foi determinada a proteção de nenhuma área natural como compensação desse desastre. Por isso, defendo que a compensação ambiental inclua a criação de duas unidades de conservação: uma no Pontal da Barra e outra nas restingas de Marechal Deodoro.
Alagoas não pode encerrar esse capítulo apenas com compensações financeiras. Nenhum dinheiro vai pagar o desastre causado. Espero que se deixe, pelo menos, um legado na conservação de áreas naturais e espécies vulneráveis, num estado que tem pelo menos 80 espécies de plantas ameaçados de extinção. Crime ambiental não se paga com dinheiro, nem com obras em praças públicas."