Felicidade no trabalho deixa de ser tendência e passa a fazer parte da estratégia das empresas

Publicado em 14/09/2026, às 14h58
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Assessoria

Bem-estar, segurança psicológica e qualidade das relações profissionais ganham espaço na gestão e passam a integrar também as discussões sobre saúde e segurança no trabalho

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Por muito tempo, falar em felicidade no ambiente corporativo poderia parecer assunto secundário diante de metas, resultados e indicadores de produtividade. Hoje, porém, a relação entre bem-estar, saúde mental, engajamento e desempenho profissional ganha cada vez mais espaço nas estratégias das organizações.

A especialista em Recursos Humanos, Dayse Simão, explica o motivo. “O mercado de trabalho mudou. A dificuldade de atração de pessoas também. Por isso, as empresas estão preocupadas com o bem estar dos funcionários. Um verdadeiro líder é aquele que busca despertar a felicidade, que é um sentimento duradouro, nos seus funcionários, e não apenas a alegria, que é algo passageiro”, observa.

A ideia resume uma mudança importante na forma de compreender o trabalho: cuidar das pessoas não é necessariamente o oposto de buscar produtividade. Pode ser justamente uma das condições para alcançá-la.

No Brasil, essa discussão ganhou ainda mais relevância com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Desde 26 de maio de 2026, os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho passaram a integrar expressamente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A mudança amplia o olhar das empresas para aspectos relacionados à organização do trabalho que podem afetar a saúde dos trabalhadores.

“Hoje, é preciso estabelecer estratégias que promovam a retenção de talentos porque as pessoas não se submetem mais a situações que antes eram corriqueiras apenas para manter o emprego. Existem, inclusive, dados e pesquisas que apontam que a produtividade aumenta quando se trabalha mais feliz”, analisa Dayse Simão.

Para a especialista em RH, a mudança de postura do funcionário acontece, justamente, quando ele está em um ambiente de trabalho favorável ao desenvolvimento dele e ao propósito que ele tem para a vida.

“O colaborador começa a dar sinais que não está engajado quando ele não consegue entregar mais a potência que tem. Ele começa a atrasar, a faltar, não interage mais. Esses podem ser sinais de adoecimento e sobrecarga de trabalho. A liderança precisa estar atenta a essas questões”, orienta Dayse Simão.

Entre os fatores que podem estar relacionados aos riscos psicossociais estão situações como sobrecarga de trabalho, assédio, falta de apoio, baixa autonomia e problemas na organização das atividades. O Ministério do Trabalho e Emprego destaca, em sua campanha nacional de 2026, a necessidade de fortalecer uma cultura de prevenção dos riscos psicossociais e de promover ambientes de trabalho seguros e saudáveis.

A relação entre saúde mental e desempenho também é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a entidade, ambientes de trabalho seguros e saudáveis podem reduzir tensões e conflitos, melhorar a retenção de profissionais, o desempenho e a produtividade. Em contrapartida, ambientes inadequados podem representar riscos para a saúde mental.

Dayse Simão chama a atenção para uma situação muito importante. “Não é sustentável escolher uma carreira apenas pelo salário. Isso deve ser um dos critérios, mas não o único. É preciso analisar o ambiente como um todo, as oportunidades, a valorização, e vivenciar, dessa forma a felicidade plena. Quando os dois lados, funcionários e empresa, se conectam no mesmo propósito o resultado positivo é inevitável e o ambiente de trabalho se torna um lugar onde as pessoas, não apenas necessitam, mas gostam de estar e fazer parte”, acrescenta.

A transformação vai além da criação de espaços de descanso, campanhas motivacionais ou benefícios corporativos. A chamada felicidade no trabalho passa a estar relacionada a questões estruturais: qualidade da liderança, segurança psicológica, respeito, autonomia, desenvolvimento profissional, equilíbrio e sentido atribuído ao trabalho.

A discussão sobre felicidade corporativa acompanha uma transformação mais ampla no mundo do trabalho. Empresas passaram a disputar profissionais não apenas por salário, mas também por cultura, propósito, oportunidades de desenvolvimento e qualidade de vida.

Nesse cenário, a felicidade deixa de ser vista como um conceito superficial ou como sinônimo de descontração no trabalho. Ela passa a ser compreendida como parte de uma agenda que envolve saúde, segurança, relações humanas, liderança e sustentabilidade dos negócios.

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