Filha e genro são presos após internarem idosa em clínica no Rio de Janeiro

Publicado em 24/02/2023, às 21h50
Reprodução -

Correio Braziliense

A filha e o genro de uma idosa foram presos na cidade do Rio de Janeiro por sequestrarem e internarem à força a senhora, de 65 anos, em uma clínica psiquiátrica em Petrópolis, na região serrana do estado. Segundo a polícia, a vítima não tinha nenhuma doença ou necessidade terapêutica. Patrícia de Paiva Reis e o companheiro, Raphael Machado Costa Neves, vão responder por sequestro triplamente qualificado e coação no curso do processo. Eles não quiseram prestar depoimento.

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De acordo com informações do jornal O Globo, a filha e o genro da senhora a internaram para que ela fosse coagida a se retratar de uma notícia-crime que havia feito denunciando maus-tratos sofridos pelos dois netos, de 2 e 9 anos, na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav). Essa denúncia havia sido feita dois dias antes do sequestro.  

Sequestro

Segundo o delegado Felipe Santoro, o sequestro ocorreu em 6 de fevereiro. A aposentada foi abordada por dois homens que a colocaram em uma ambulância. Ela percebeu que o ato ocorreu a mando da filha, após um dos criminosos dizer que a ação “era coisa de família”.

Ao chegar à clínica, em Petrópolis, os funcionários colocaram a idosa em um quarto sem janela, nem ventilação, por um período de três dias. No local, ainda segundo informações de O Globo, ela disse ter sofrido com fome e com sede e gritado diversas vezes por socorro. Depois, a idosa relatou ter sido levada para um espaço coletivo, onde passou a ser obrigada a ingerir medicações.

A vítima disse ainda que os médicos da clínica a ignoravam. Durante o carnaval, a idosa recebeu visita de sua filha, Patrícia de Paiva Reis, e do companheiro dela, Raphael Machado Costa Neves. O casal teria relatado à idosa que tentariam desqualificar o registro feito por ela na Dcav demonstrando que ela sofria de “desequilíbrio mental”.

Maus tratos

Os netos da aposentada levada à força para uma clínica em Petrópolis, segundo ela, sofrem maus-tratos pelos pais. Uma das crianças, inclusive, tem deficiência mental. Ela relatou que os meninos não recebiam alimentação e nem higiene de forma correta. 

Após dias de internamento forçado, na clínica em Petrópolis, a idosa disse ter sido novamente colocada à força em uma ambulância e levada para outra unidade psiquiátrica. No local, ela narrou a uma médica o desejo de sua filha em ficar com a integralidade da pensão que ambas dividem.

Na tarde de quinta-feira (23/2), policiais estiveram na clínica e libertaram a idosa. "Iniciamos as diligências tão logo recebemos a informação de que uma idosa lúcida e sem nenhuma doença física nem mental estava sendo mantida em privação de liberdade em uma clínica. Após a prisão dos familiares que haviam determinado a internação, iremos investigar a conduta de médicos, enfermeiros e demais funcionários desses estabelecimentos a fim de entender a responsabilidade de cada um nesses crimes" explicou o delegado Felipe Santoro, ao jornal O Globo.

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